Mais de metade das empresas portuguesas adia investimentos devido à incerteza económica

Um estudo da Intrum revela que 58% das empresas portuguesas estão a adiar investimentos por causa da incerteza económica. Os atrasos nos pagamentos continuam a pressionar a tesouraria e a limitar o crescimento das empresas
Mais de metade das empresas portuguesas adia investimentos devido à incerteza económica

Mais de metade das empresas portuguesas está a adiar investimentos devido ao atual contexto de incerteza económica, segundo um estudo divulgado esta terça-feira pela Intrum.

De acordo com o relatório European Payment Report (EPR) 2026 Portugal, 58% das empresas nacionais afirmam estar a adotar uma postura mais prudente relativamente ao endividamento e aos planos de investimento.

O valor coloca Portugal acima da média europeia, fixada nos 51%, entre os 20 países analisados no estudo.

O relatório aponta ainda os atrasos nos pagamentos como um dos principais fatores de pressão sobre a atividade empresarial.

Segundo o inquérito, 60% das empresas portuguesas admitem que os atrasos nos recebimentos levaram ao incumprimento dos prazos de pagamento junto dos seus próprios fornecedores.

O estudo envolveu cerca de mil empresas portuguesas e integra uma análise europeia mais ampla, realizada junto de 8.385 empresas em 20 países.

Os dados revelam também que muitas empresas estão a operar perto dos seus limites financeiros.

Segundo a Intrum, a percentagem máxima de receitas que as empresas portuguesas conseguem receber fora de prazo sem comprometer a sua capacidade operacional situa-se nos 10,21%, abaixo da média europeia de 12,08%.

O diretor-geral da Intrum Portugal considera que o atual contexto está a tornar as empresas mais cautelosas.

“As empresas estão mais cautelosas com investimento, financiamento e risco, sobretudo porque continuam expostas a atrasos nos pagamentos que condicionam a tesouraria e limitam a capacidade de crescimento”, afirmou Luís Salvaterra, citado em comunicado.