Relacionados
Mais de 40 empresas portuguesas do setor da Defesa participaram esta segunda-feira numa mostra tecnológica realizada no quartel-general da NATO, em Bruxelas, numa iniciativa inédita destinada a promover a indústria nacional junto de representantes da Aliança Atlântica, governos aliados e potenciais parceiros internacionais.
O evento, denominado "Dia da Indústria de Defesa de Portugal", foi o primeiro do género a decorrer na sede da NATO e resultou de uma parceria entre a representação permanente de Portugal junto da organização e a idD Portugal Defence.
Ao todo, 41 empresas nacionais apresentaram produtos, soluções tecnológicas e projetos inovadores, procurando beneficiar das oportunidades geradas pelo forte aumento do investimento militar previsto pelos países aliados.
Na cimeira da NATO realizada em Haia, os Estados-membros comprometeram-se a aumentar gradualmente os gastos com a Defesa até atingirem 5% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2035, uma meta que deverá mobilizar centenas de milhares de milhões de euros nos próximos anos.
À margem do evento, a vice-secretária-geral da NATO, Radmila Šekerinska, deixou uma mensagem clara à indústria europeia.
"Há cada vez mais dinheiro em cima da mesa", afirmou, defendendo que o setor deve responder com "mais produção, mais aço, mais e melhor tecnologia".
A responsável sublinhou ainda a necessidade de acelerar os processos produtivos e reforçar a cooperação entre empresas para garantir que os objetivos de reforço militar da Aliança possam ser concretizados.
"A nossa mensagem à indústria é para que produza mais, mais rápido e de forma mais articulada", declarou, citada pela agência Lusa.
Entre os participantes estiveram empresas já consolidadas no setor da Defesa, mas também várias startups tecnológicas portuguesas que procuram afirmar-se num mercado em rápida expansão.
Para Portugal, a promoção deste tipo de empresas é estratégica. O objetivo passa por garantir que o crescimento do investimento em Defesa beneficia não apenas os grandes grupos industriais europeus, tradicionalmente concentrados em países como Alemanha, França, Reino Unido ou Itália, mas também o ecossistema de inovação nacional.
O representante permanente de Portugal junto da NATO, Paulo Vizeu Pinheiro, destacou o papel das pequenas e médias empresas no atual contexto geopolítico.
Segundo o diplomata, o Governo português tem defendido junto da NATO a necessidade de uma atenção especial às micro, pequenas e médias empresas, que desempenham um papel crescente no desenvolvimento de tecnologias críticas para a segurança e defesa.
Paulo Vizeu Pinheiro recordou que a guerra na Ucrânia demonstrou a importância da inovação no campo de batalha, especialmente através da utilização de drones, inteligência artificial, sistemas autónomos e tecnologias de comunicação avançadas.
"Portugal inova. Temos pequenas e grandes empresas e estão em todos os domínios: desde os drones, inteligência artificial, espaço, aeronáutica, comunicações seguras, novos materiais e sistemas de energia", afirmou.
Também presente na iniciativa, o presidente do Comité Militar da NATO, Giuseppe Cavo Dragone, considerou que Portugal possui vantagens estratégicas importantes para o desenvolvimento da indústria de Defesa.
O responsável destacou particularmente o conhecimento nacional na área marítima, considerado relevante para a Aliança Atlântica num contexto de crescente atenção às ameaças vindas do flanco sul.
"Portugal tem muito conhecimento a nível marítimo, o que é muito importante para nós", afirmou, defendendo uma cooperação mais estreita entre as Forças Armadas e a indústria para reforçar a capacidade de dissuasão e defesa dos países aliados.