segunda-feira, 17 ago. 2026

Lufthansa agrava prejuízo para 542 milhões, mas reforça aposta na TAP e promete fazer de Lisboa um hub estratégico

O grupo Lufthansa registou prejuízos de 542 milhões de euros no primeiro semestre, pressionado pela crise no Médio Oriente e pela subida dos custos com combustível. Apesar dos resultados negativos, mantém a aposta na privatização da TAP, defendendo que Lisboa pode tornar-se um dos principais centros do grupo para as ligações ao Atlântico Sul
Lufthansa agrava prejuízo para 542 milhões, mas reforça aposta na TAP e promete fazer de Lisboa um hub estratégico

O grupo Lufthansa agravou os prejuízos para 542 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, face aos lucros de 127 milhões registados no mesmo período do ano passado, num contexto marcado pela crise no Médio Oriente, pelo aumento dos custos com combustível e por cancelamentos temporários de rotas.

Apesar do resultado líquido negativo, o grupo aéreo alemão, um dos candidatos à privatização da TAP, aumentou as receitas em 8%, para 19.887 milhões de euros. O resultado operacional ajustado (EBIT) fixou-se em 229 milhões de euros negativos, enquanto o EBITDA ajustado recuou 22%, para 1.043 milhões de euros.

Só no segundo trimestre, a Lufthansa regressou aos lucros, com um resultado líquido de 123 milhões de euros e receitas de 11.141 milhões de euros.

"O desempenho empresarial foi marcado por um contexto de mercado desafiante devido à crise no Médio Oriente", afirmou o presidente executivo (CEO), Carsten Spohr, citado num comunicado. Segundo o responsável, o aumento do preço do combustível e os cancelamentos de voos penalizaram os resultados, embora a forte procura nas rotas para a Ásia e África tenha compensado parcialmente esse impacto.

Os custos com combustível aumentaram cerca de 750 milhões de euros face ao período homólogo, um dos principais fatores para a deterioração dos resultados.

Lufthansa quer reforçar TAP e transformar Lisboa num hub atlântico

Apesar das contas negativas, a Lufthansa mantém a ambição de integrar a TAP no grupo. Depois de entregar uma proposta vinculativa na fase final da privatização, o grupo garante que pretende estabelecer uma parceria estratégica de longo prazo.

"Queremos reforçar a companhia aérea nacional portuguesa como parte do Grupo Lufthansa e como a principal companhia aérea para o Atlântico Sul, tendo Lisboa como hub estratégico", afirmou Carsten Spohr.

Segundo o gestor, a integração permitirá reforçar as ligações entre a Europa, a América Latina, África e a América do Norte, aproveitando a posição geográfica de Lisboa.

Durante a apresentação de resultados, Spohr destacou ainda que uma eventual aquisição da TAP criaria complementaridades com a ITA Airways, companhia italiana cuja participação maioritária passou recentemente para as mãos da Lufthansa.

O CEO defendeu que a combinação das duas transportadoras permitirá consolidar a presença do grupo no sul da Europa e no Mediterrâneo, reforçando simultaneamente o mercado transatlântico.

Brasil e Porto continuam no centro da estratégia

Nos últimos meses, a Lufthansa tem defendido uma estratégia de crescimento da TAP assente em três pilares: expansão da operação para o Brasil, reforço do aeroporto de Lisboa como plataforma de distribuição de voos e aumento da atividade no Aeroporto do Porto.

O grupo recorda ainda que já está a investir em Portugal através da Lufthansa Technik, que está a construir uma unidade industrial em Santa Maria da Feira dedicada à manutenção e reparação de componentes aeronáuticos. O projeto representa um investimento de centenas de milhões de euros e deverá criar mais de 700 postos de trabalho qualificados até 2027.

Menos passageiros no primeiro semestre

Entre janeiro e junho, viajaram nas companhias do grupo Lufthansa 60,6 milhões de passageiros, menos 1% do que no mesmo período de 2025.

No segundo trimestre, foram transportados quase 36 milhões de passageiros, uma quebra homóloga de 4%, refletindo o impacto da instabilidade geopolítica e dos ajustamentos operacionais realizados pelo grupo.

A Lufthansa e a Air France-KLM apresentaram na semana passada propostas vinculativas para a compra da TAP, entrando agora o processo de privatização na sua fase decisiva.