O ABANCA obteve no primeiro semestre de 2026 um lucro antes de impostos de 501 milhões de euros, mais 3,7% do que no exercício anterior. O lucro depois de impostos situou-se em 386 milhões, menos 9,6% do que no mesmo período do ano anterior, devido ao aumento da taxa efetiva de imposto provocado pela menor utilização de créditos fiscais.
A instituição financeira revelou que registou "um crescimento expressivo em todas as áreas de negócio, com especial destaque para a gestão da poupança", referindo que os recursos de clientes aumentaram 7,2%, para 87.249 milhões de euros. Por outro lado, canalizou um total de 10.000 milhões de euros de novo financiamento para particulares e empresas, com crescimentos das novas operações de 14,4% e 7,8%, respetivamente, permitindo que o crédito ao setor privado aumentasse 3,8%.
O banco retomou o crescimento trimestral da margem financeira, que aumentou 4% face ao primeiro trimestre de 2026 e 2,1% em comparação com o segundo trimestre de 2025, revelando que "a boa dinâmica comercial e a gestão da política de preços permitem ao banco antecipar uma evolução positiva da margem financeira nos próximos trimestres".
As receitas provenientes da prestação de serviços cresceram 11,0% em termos homólogos no segundo trimestre do ano. No final do semestre, as diferentes componentes apresentavam uma evolução positiva: +7,0% nos contratos de seguros, +46,6% nos serviços bancários, +0,5% nos serviços de cobranças e pagamentos e +18,2% nas operações fora de balanço e seguros.
O aproveitamento das sinergias decorrentes das operações corporativas, aliado à aplicação de políticas de racionalização, permitiu ao Banco controlar o crescimento dos custos, mantendo-o abaixo da média do setor (3,3% face a 5,3%). Como resultado, o rácio de eficiência melhorou 72 pontos base no segundo trimestre do ano.
Apesar dos elevados níveis de cobertura, o ABANCA mantém uma política prudente na constituição de provisões. O custo do risco permaneceu controlado, situando-se em 25 pontos base, com um rácio de incumprimento de 1,9% e uma taxa de cobertura desses ativos de 85,4%.
O volume de negócio gerido pelo banco ultrapassa já os 145.000 milhões de euros, um valor 8,4% superior ao registado em junho de 2025. O crédito a Clientes situou-se em 58.151 milhões de euros, enquanto os recursos totais ascenderam a 87.249 milhões de euros.
O crédito em situação regular atingiu 57.397 milhões de euros, o que representa um crescimento de 10,6%. Destacam-se particularmente os segmentos de empresas e famílias, que representam 82% da carteira e cujo saldo aumentou 3,8% em termos homólogos.
A captação de recursos de clientes cresceu 7,2% em termos homólogos, para 87.249 milhões de euros. Por tipologia de produto, 75% do total corresponde a depósitos à ordem e a prazo, enquanto os restantes 25% dizem respeito a recursos fora de balanço (fundos de investimento, planos de pensões e seguros de poupança).
Os depósitos de clientes aumentaram 2,7% em termos homólogos, para 65.179 milhões de euros. Os saldos à ordem cresceram 5,2%. A carteira apresenta um perfil marcadamente de retalho: 93% do total corresponde a famílias e empresas e a maioria (69%) apresenta um saldo inferior a 100.000 euros.
A instituição financeira revelou ainda que, "após a incorporação do EuroBic, o negócio em Portugal representa já uma parte significativa da totalidade do grupo ABANCA". E acrescenta: "Se atualmente já aporta 17% das receitas globais, a ambição é que a operação em Portugal, mediante um crescimento orgânico e eficiente, alcance os 20% do volume de negócios e dos resultados consolidados do grupo.
No primeiro semestre de 2026, o resultado antes de impostos do ABANCA Portugal seguiu uma trajetória ascendente, crescendo 25,7% face a junho de 2025, passando de 49,8 milhões para 62,6 milhões de euros.
O ritmo de captação e crescimento comercial mantém-se em níveis muito positivos desde que se completou a integração. O volume de negócios totalizou 21.025 milhões de euros no final do semestre, um crescimento face aos 20.445 milhões de euros que tinham sido registados no final do trimestre anterior.
As novas formalizações de crédito a particulares e empresas superaram os 3.000 milhões de euros, tendo o ABANCA Portugal angariado mais de 10.000 clientes desde o início de 2026.
Em paralelo, a qualidade dos ativos revela uma elevada robustez, com o rácio de incumprimento (NPL) fixado em 2,1% e uma forte taxa de cobertura destas imparidades a atingir os 88,9%.