segunda-feira, 13 abr. 2026

Lucro da TAP cai para 4,1 milhões em 2025 penalizado pelo IRC

No último trimestre do ano, o resultado foi negativo em 51 milhões de euros.
Lucro da TAP cai para 4,1 milhões em 2025 penalizado pelo IRC

A TAP registou um resultado líquido positivo de 4,1 milhões de euros, em 2025. É o quarto ano consecutivo de lucros e a empresa revela que o resultado líquido recorrente teria sido 46 milhões caso fosse excluido o impacto da atualização das taxas de IRC.

"Num contexto marcado pela incerteza e pressão de custos em toda a indústria, a Companhia reforçou a posição financeira e concluiu os compromissos operacionais e financeiros previstos no plano de reestruturação aprovado pela União Europeia", referiu ainda em comunicado.

As receitas operacionais totalizaram os 4.313 milhões em 2025 (+1,2% face a 2024), impulsionadas sobretudo pelas receitas de passagens (+0,8%) e pelo negócio de manutenção (+10,7%).

Os custos operacionais recorrentes atingiram os 4.070 milhões em 2025 (+3,6%), com aumentos nos custos de tráfego (+6,7%), pessoal (+7,9%) e depreciações e amortizações (+10,8%), parcialmente compensados pela redução dos custos com combustível (-5,4%).

A TAP registou um EBITDA recorrente de 742,9 milhões (margem de 17,2%) e um EBIT recorrente de 243,4 milhões (margem de 5,6%), "num ano marcado por um primeiro trimestre particularmente desafiante".

No quatro trimestre, a TAP transportou 4 milhões de passageiros, um aumento de 4,9% face ao quarto trimestre de 2024, tendo operado aproximadamente 29 mil voos, um aumento de 1,1% face ao período homólogo.

Nesse período, as receitas operacionais totalizaram 1.032 milhões, um aumento de 3,7% face a igual período do ano passado, impulsionado sobretudo pelo desempenho das receitas de passagens, que aumentaram 32,8 milhões (+3,8%) para 904,7 milhões.

Já as receitas de manutenção aumentaram 6,8 milhões de euros, atingindo 77,9 milhões no quarto trimestre, "suportadas por níveis de atividade estáveis num contexto de persistentes constrangimentos na cadeia de abastecimento, e por um efeito preço associado ao aumento dos custos de material e a serviços de maior valor acrescentado".

Os custos operacionais recorrentes totalizaram 1. 016 milhões, representando um aumento de 1,7% (+16,7 milhões) face ao 4T24. "Este crescimento foi principalmente impulsionado pelo aumento dos custos com combustível (+ 6,5 milhões ou +2,7%), e pelos custos de manutenção de aeronaves (+5,4 milhões ou +29,6%) e de materiais consumidos (+ 13,6 milhões ou +25,0%), refletindo em ambos os casos o aumento do preço dos materiais, aplicados na frota da TAP e em serviços externos de manutenção, respetivamente"

Neste período, as perdas foram de 51 milhões, "substancialmente impactado por um efeito externo, nomeadamente pelo ajuste no IRC, no valor de 42 milhões, decorrente da reavaliação dos ativos por impostos diferidos após a redução progressiva da taxa de IRC". Excluindo este efeito, as perdas teriam sido de 9,1 milhões de euros.

Conclusão do Plano de Reestruturação

Em 2025, a TAP concluiu o cumprimento os compromissos operacionais e financeiros previstos no Plano de Reestruturação aprovado pela União Europeia. "Bruxelas reconheceu que as medidas operacionais exigidas foram implementadas atempadamente e que a Companhia alcançou resultados que restabelecem a sua viabilidade a longo prazo", esclareceu, acrescentando ainda que foi também aprovada a extensão do prazo para a alienação das participações na Cateringpor e na SPdH (Sociedade Portuguesa de Handling, S.A.) até 30 de junho de 2026, comprometendo-se a TAP a devolver ao acionista 24,99 milhões no âmbito desta extensão.

Perspetivas para 2026

A estratégia da TAP para 2026 assenta num crescimento disciplinado e sustentável, suportado pela expansão e modernização da frota com aeronaves Airbus NEO e refere também que o crescimento deverá ser impulsionado sobretudo pela rede transatlântica, com destaque para o Brasil, e pela expansão das operações a partir do Porto, incluindo novas rotas e o desenvolvimento de um hub de manutenção.

Luís Rodrigues, CEO da TAP, afirma que “em 2025, a TAP apresentou resultados sólidos, suportados por uma procura resiliente de passagens em toda a rede, principalmente na segunda metade do ano, e por um contributo relevante do negócio de Manutenção, que continuou a reforçar o seu peso nas receitas totais. Apesar de um contexto desafiante, marcado por pressões inflacionárias nos custos e por constrangimentos nas cadeias de abastecimento e operacionais expressivos em toda a indústria, mantivemos margens resilientes e reforçámos a posição financeira da companhia. Este desempenho suportou um resultado líquido positivo pelo quarto ano consecutivo.

E chama ainda a atenção para o facto de a Comissão Europeia ter reconhecido a conclusão dos compromissos operacionais e financeiros previstos no plano de reestruturação aprovado pela União Europeia, "confirmando a transformação bem-sucedida da Companhia, e a sua capacidade para assegurar viabilidade a longo prazo e um crescimento equilibrado".

Em 2026, a Comissão Executiva irá acelerar a execução das iniciativas já definidas, com foco claro nas prioridades operacionais. "Esse processo será acompanhado pelo início de uma nova fase de crescimento disciplinado e sustentável, com um maior enfoque na expansão transatlântica, nomeadamente com duas novas rotas no Brasil, reforçando a nossa liderança e rede neste mercado, para um total de 15 destinos, dos quais 10 são servidos em exclusivo pela TAP. Adicionalmente, iremos expandir as operações a partir do Porto, com o lançamento de várias novas rotas e com o investimento num novo hub de manutenção", salienta.