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A primeira loja física permanente da Shein em França, instalada num centro comercial histórico de Paris, vai encerrar nos próximos meses, numa decisão que marca um revés para a estratégia de expansão da gigante chinesa da moda de baixo custo no mercado europeu.
O anúncio foi feito esta terça-feira pelos proprietários da BHV, uma das mais emblemáticas lojas da capital francesa, localizada no bairro do Marais, que acolheu a marca desde 2025.
A chegada da Shein ao espaço gerou forte contestação desde o início, com associações de comerciantes e várias marcas a criticarem a presença da empresa chinesa num dos locais mais emblemáticos do comércio parisiense.
Agora, os responsáveis da BHV reconhecem que a decisão não produziu os resultados esperados. Citados pela imprensa francesa, os proprietários consideram que a integração da Shein foi um "erro estratégico", admitindo que diversas marcas optaram por abandonar o centro comercial por não quererem ver a sua imagem associada à retalhista chinesa.
O encerramento não afetará apenas a loja de Paris. A decisão será igualmente aplicada a outros espaços da BHV noutras cidades francesas onde a Shein tinha aberto lojas físicas.
Segundo os responsáveis pelo grupo, a estratégia passa agora por regressar ao foco tradicional da marca, privilegiando os setores da decoração, design e mobiliário para o lar, áreas historicamente associadas à identidade da BHV.
Controvérsia acompanha expansão da marca
A Shein tem estado no centro de várias polémicas em França e noutros países europeus, enfrentando críticas relacionadas com práticas de produção, impacto ambiental e alegações de concorrência desleal devido aos preços extremamente baixos praticados pela empresa.
Recentemente, a marca voltou a ser alvo de controvérsia em território francês depois de o Governo apresentar uma queixa para tentar suspender parte das suas atividades online, na sequência da deteção da venda de bonecas sexuais com aparência infantil na plataforma.
A polémica agravou o escrutínio sobre a empresa numa altura em que as autoridades francesas e europeias reforçam a fiscalização das grandes plataformas de comércio eletrónico oriundas da Ásia.
Apesar do encerramento das lojas físicas na BHV, a Shein deverá manter a sua atividade digital em França, mercado que continua a ser um dos mais importantes para a empresa na Europa.