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A norte-americana Lockheed Martin admite produzir componentes do caça F-35 em Portugal e criar capacidade de manutenção no país caso o Governo português avance com a compra da aeronave para substituir os atuais F-16 da Força Aérea Portuguesa.
A possibilidade foi avançada por responsáveis da empresa durante uma visita da comunicação social às instalações da Lockheed Martin em Fort Worth, no estado norte-americano do Texas, onde são produzidos 156 caças F-35 por ano.
“É absolutamente possível”, afirmou aos jornalistas portugueses Robert Weitzman, diretor de Desenvolvimento de Negócios Internacionais do programa F-35.
Segundo o responsável, a empresa pretende aprofundar a relação já existente com a indústria portuguesa.
“Não estamos a começar relações com a indústria portuguesa, estamos a dar-lhes seguimento”, sublinhou, recordando anteriores colaborações em programas ligados aos aviões P-3 e aos próprios F-16.
Portugal está atualmente a avaliar opções para substituir a frota de F-16, num processo que deverá ser enquadrado na revisão da Lei de Programação Militar prevista para este ano.
Além da proposta da Lockheed Martin com o F-35, estão também na corrida os Gripen da SAAB e os Eurofighter Typhoon do consórcio europeu que inclui a Airbus.
Embora ainda não exista um diálogo formal com o Governo português, os responsáveis da Lockheed Martin confirmaram contactos com a Força Aérea portuguesa.
A empresa revelou ainda ter identificado 16 potenciais projetos de parceria em Portugal com empresas, universidades e centros de investigação nacionais.
As áreas em análise incluem coprodução industrial, integração em cadeias de fornecimento internacionais, exportação, colaboração tecnológica e projetos de investigação e desenvolvimento.
“Este é um investimento a longo prazo, de décadas, e uma capacidade crítica de dissuasão”, defendeu Robert Weitzman.
O responsável acrescentou que o F-35 representa “a melhor plataforma para ficar à frente das ameaças hoje em dia e nas próximas décadas”.
A Lockheed Martin procura também reforçar a ideia de que o programa F-35 tem uma forte componente europeia.
Segundo a empresa, cerca de 25% das componentes do caça já são produzidas na Europa.
“Há quem tenha ativos que nunca foram utilizados em situações reais. Há quem tenha algumas ideias que existem apenas em apresentações de ‘powerpoint’”, afirmou Nicholas Smythe, vice-presidente da Estratégia de Campanhas de Sustentação e Desenvolvimento de Negócios da empresa.
“Está em causa confiança. A mensagem não é ‘confiem em nós’. A mensagem é ‘já provámos que conseguimos’”, acrescentou.
Atualmente, a Lockheed Martin dispõe de uma linha de montagem final e verificação em Cameri, Itália, além de outra no Japão.
A empresa destaca ainda a existência de centros europeus de formação, manutenção, reparação e logística ligados ao programa F-35.
“Trata-se de um programa tão europeu quanto americano. É um modelo de sucesso em matéria de cooperação e comunicação”, defendeu Smythe.
Também Chauncey McIntosh, vice-presidente e diretor-geral do programa F-35 Lightning II, insistiu que o projeto “apoia a estratégia europeia” e pode gerar emprego e investimento industrial.
O responsável exemplificou que diferentes partes da aeronave já são produzidas em vários países europeus.
“A parte dianteira da fuselagem é produzida na Finlândia, a secção central é fabricada na Alemanha e a parte traseira no Reino Unido”, explicou.
O F-35 é um caça de quinta geração concebido para operações multifunções e furtivas, sendo atualmente utilizado por vários países da NATO e parceiros ocidentais.