quarta-feira, 15 abr. 2026

Justiça espanhola obriga Airbnb a pagar multa de 64 milhões por anúncios ilegais

O caso surge num contexto de crescente tensão em Espanha devido ao impacto do turismo no acesso à habitação. O país recebeu cerca de 97 milhões de turistas em 2025, sendo o segundo destino mundial, apenas atrás de França
Justiça espanhola obriga Airbnb a pagar multa de 64 milhões por anúncios ilegais

A justiça espanhola recusou suspender uma multa de 64 milhões de euros aplicada à Airbnb pelo Governo de Espanha, obrigando a empresa a avançar com o pagamento enquanto decorre o processo judicial.

A decisão do Tribunal Superior de Justiça de Madrid rejeitou o pedido de medidas cautelares apresentado pela plataforma, que pretendia adiar o pagamento até à sentença final.

Segundo o Ministério dos Direitos Sociais e Consumo espanhol, a empresa “terá de pagar os 64.055.311 euros previstos na multa”.

Mais de 65 mil anúncios ilegais

A multa, anunciada em dezembro de 2025, resulta da publicação de mais de 65 mil anúncios de alojamento turístico considerados ilegais. Em causa estão casas e apartamentos sem licença válida ou com números de registo falsos ou incorretos.

O Governo espanhol ordenou também à Airbnb a remoção dos anúncios irregulares ainda disponíveis na plataforma.

O ministro do Consumo, Pablo Bustinduy, justificou a medida com a necessidade de combater a crise da habitação, sublinhando que “nenhuma empresa, por grande ou poderosa que seja, pode estar acima da lei”.

Plataforma contesta legalidade

A Airbnb já anunciou que vai contestar a decisão em tribunal, considerando a multa ilegal. A empresa argumenta que a legislação espanhola invocada não era aplicável quando o processo começou, em 2024, e defende que, à luz do direito europeu, deve ser tratada como um serviço digital — e não como um agente imobiliário.

A plataforma invoca ainda um acórdão do Tribunal Supremo de Espanha, de 2022, que estabelece que a responsabilidade pelas informações dos anúncios — como licenças ou registos — cabe aos proprietários dos imóveis, e não às plataformas.

Pressão do turismo sobre a habitação

O caso surge num contexto de crescente tensão em Espanha devido ao impacto do turismo no acesso à habitação. O país recebeu cerca de 97 milhões de turistas em 2025, sendo o segundo destino mundial, apenas atrás de França.

Cidades como Barcelona têm endurecido regras, deixando de emitir novas licenças de alojamento local e prevendo eliminar progressivamente este tipo de oferta até 2028.

A decisão judicial reforça a posição das autoridades espanholas no combate ao alojamento ilegal e poderá ter impacto em todo o setor do arrendamento de curta duração na Europa.