Isabel Guerreiro. A primeira mulher a liderar um grande banco em Portugal

A nomeação de Isabel Guerreiro para CEO do Santander em Portugal resulta de um percurso construído dentro do grupo. Assume a liderança numa fase de continuidade, mas também de ajustamento estratégico num setor em mudança.
Isabel Guerreiro. A primeira mulher a liderar um grande banco em Portugal

Portugal volta a alcançar mais uma vitória feminina. Isabel Guerreiro, de 54 anos, prepara-se para assumir a liderança do Santander Portugal, sucedendo a Pedro Castro e Almeida no cargo de CEO a partir de março deste ano. A sua nomeação marca um momento histórico na banca portuguesa: será a primeira mulher a liderar um dos maiores bancos do país.

Ao longo de mais de 20 anos de carreira no grupo Santander, Isabel Guerreiro acumulou uma trajetória sólida e multifacetada, que combina competências técnicas, visão estratégica e um forte foco na transformação digital e no cliente.

É licenciada em Engenharia Informática e de Computadores pelo Instituto Superior Técnico, prosseguindo a sua formação com um MBA pelo INSEAD, em França, uma das escolas de negócios mais reputadas do mundo, e frequentou programas executivos em instituições de prestígio internacional como Stanford, Harvard e Wharton.

Antes de ingressar no Santander, iniciou a sua carreira profissional na Novabase, onde trabalhou como programadora e analista de sistemas, o que lhe conferiu uma experiência prática numa área em rápida evolução e foco em tecnologia.

Foi em 2005 que nova CEO do banco entrou no Santander, inicialmente com responsabilidade por gestão de projetos, numa altura em que o banco intensificava a sua expansão e modernização em Portugal.

Ao longo dos anos, ocupou diversas posições de relevo dentro da organização, incluindo funções de liderança comercial e estratégica. Em 2019 foi nomeada Administradora Executiva e Vice-Presidente da Comissão Executiva do banco em Portugal, com a responsabilidade central pela área de retalho e transformação.

Em 2020, ganhou projeção europeia ao ser nomeada responsável digital da Europa do Grupo Santander, liderando a agenda de transformação digital das operações bancárias em toda a região e promovendo iniciativas tecnológicas que visavam melhorar a experiência dos clientes e reforçar a eficiência operacional.

Quem conhece Isabel Guerreiro descreve-a como uma profissional com forte entendimento tecnológico e um estilo de liderança centrado nas pessoas – alguém que «genuinamente se preocupa com os outros» e que combina uma visão estratégica com atenção ao impacto humano dentro da organização.

Palavras que combinam também com a opinião da espanhola Ana Botín, presidente executiva do Banco Santander, que a define como «uma líder com provas dadas e amplamente respeitada, que personifica a cultura do Santander, com uma forte ambição de melhoria contínua e um elevado compromisso, ano após ano, de servir com consistência as suas equipas, clientes, acionistas e a sociedade».

Na verdade, internamente, parte significativa da estrutura do banco já estava sob a sua alçada, o que contribuirá para uma transição relativamente fluida para a função de CEO.

Pedro Castro e Almeida muda de rumo

Isabel Guerreiro substitui o até agora CEO Pedro Castro e Almeida que vai assumir a função de chief risk officer do Grupo Santander, um cargo internacional com elevado relevo. 

O responsável integrou o Santander em 1993 e liderou o Santander Portugal como Presidente Executivo nos últimos sete anos. «Durante o seu mandato, o banco realizou uma profunda transformação digital e operacional, reforçando o seu posicionamento como uma das instituições financeiras mais rentáveis e eficientes do mercado», diz o banco, acrescentando ainda que, nos últimos anos, Pedro Castro e Almeida também foi responsável regional do Santander para a Europa e mais recentemente, foi chamado a liderar o processo de integração do banco britânico TSB, adquirido pelo Santander ao Sabadell. A estrutura do Santander não tem dúvidas de que «a experiência acumulada em integrações bem-sucedidas, incluindo Banif e Banco Popular, contribuiu para esta nomeação».