terça-feira, 18 ago. 2026

Irregularidades na gestão da Carris

Teresa do Passo acusa a administração de limitar o acesso à informação e de a afastar das decisões
Irregularidades na gestão da Carris

A proposta da sua exoneração levou Teresa do Passo a quebrar o silêncio. A vogal não executiva da Carris, que foi, entretanto, substituída por Pedro Dinis, enviou uma exposição à Câmara Municipal de Lisboa onde acusa a administração executiva da empresa de a ter impedido de desempenhar as funções para as quais foi nomeada e alerta para um conjunto de práticas que, de acordo com a responsável, podem pôr em causa o modelo de governação da transportadora.

As acusações dirigidas ao presidente da Carris, Rui Lopo, e ao vice-presidente, Francisco Pinto Machado, foram reveladas numa altura em que a empresa vê-se a braços com a investigação em torno do trágico acidente com um autocarro da Carris no terminal rodoviário da estação de Agualva-Cacém, ocorrido na manhã de terça-feira, que resultou em duas vítimas mortais e pelo menos 22 feridos.

No documento, a que o SOL teve acesso, a administradora explica que decidiu tornar públicos os factos por considerar que estes «relevam para a apreciação do funcionamento do conselho de administração e para o exercício das competências próprias da Câmara Municipal, enquanto órgão representativo do acionista da empresa».

Segundo Teresa do Passo, os problemas começaram logo no arranque do mandato do atual conselho de administração. «O presidente e os administradores executivos adotaram procedimentos e praticaram atos que, de forma objetiva e reiterada, impediram ou restringiram o exercício das funções que legal e estatutariamente me competiam enquanto administradora não executiva», alerta.

A administradora lembra que, apesar de a lei atribuir aos administradores não executivos a missão de acompanhar a gestão da empresa e lhes garantir acesso à informação necessária, isso nunca aconteceu. E aponta vários episódios que refletem essa forma de atuação.