terça-feira, 18 ago. 2026

Investimento imobiliário em Portugal sobe 11% para 1,4 mil milhões. Hotelaria e retalho lideram procura

O investimento imobiliário comercial em Portugal cresceu 11% no primeiro semestre, para 1.420 milhões de euros. Consultora JLL prevê continuidade do crescimento, apoiado pela procura de investidores nacionais e estrangeiros
Investimento imobiliário em Portugal sobe 11% para 1,4 mil milhões. Hotelaria e retalho lideram procura

O investimento imobiliário comercial em Portugal ascendeu a 1.420 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 11% face ao mesmo período do ano anterior, impulsionado sobretudo pelos setores da hotelaria e do retalho, revela o mais recente relatório Market Dynamics, da consultora JLL.

De acordo com a análise, Portugal mantém uma trajetória de crescimento no mercado imobiliário e continua entre os dez destinos europeus mais atrativos para investimento, beneficiando da procura de investidores internacionais e do reforço da participação de capital nacional.

No período em análise, os investidores estrangeiros representaram 65% do volume de transações, enquanto os investidores nacionais responderam pelos restantes 35%.

Hotelaria e retalho concentram dois terços do investimento

A hotelaria foi o segmento que mais investimento captou, representando 34% do total, impulsionada por operações de grande dimensão, como a venda do Ritz-Carlton Penha Longa e a aquisição do Hotel Corinthia Lisbon.

Já o retalho concentrou 32% do capital investido, sustentado por negócios envolvendo centros comerciais e parques de retalho (retail parks).

Segundo a JLL, o desempenho operacional destes setores continua a reforçar o interesse dos investidores. Até maio, as vendas no comércio a retalho cresceram 5% em termos homólogos, enquanto a hotelaria registou um aumento de 5,7% nas receitas e de 2,4% no número de hóspedes.

O segmento industrial e logístico absorveu 13% do investimento, enquanto os escritórios representaram 6%.

Mercado residencial continua pressionado pela falta de oferta

No segmento residencial, a consultora assinala uma evolução distinta: apesar de as vendas terem diminuído 7% em termos homólogos, os preços da habitação aumentaram 14%.

A JLL atribui esta valorização ao défice estrutural de oferta, agravado pela subida dos custos de construção e pela valorização dos terrenos, fatores que continuam a pressionar o mercado.

JLL mantém perspetiva positiva para o segundo semestre

O presidente executivo da JLL Portugal, Carlos Cardoso, considera que os resultados do primeiro semestre demonstram a resiliência do mercado imobiliário nacional, mesmo num contexto internacional marcado pela incerteza.

Segundo o responsável, além da forte procura nos setores da hotelaria e do retalho, verifica-se uma recuperação gradual do interesse por outros segmentos do mercado.

Para o segundo semestre, a consultora mantém uma perspetiva otimista, antecipando que o mercado continuará a beneficiar de fundamentos sólidos, da procura por ativos de qualidade e do crescente interesse por áreas como os centros de dados (data centers).