sexta-feira, 05 jun. 2026

Inflação e energia são o maior receio das empresas portuguesas

A subida dos preços e dos custos energéticos é atualmente o principal risco identificado pelas empresas portuguesas. Um estudo da consultora QSP revela que quase metade dos profissionais inquiridos teme os impactos da inflação, num contexto marcado pela instabilidade geopolítica e pela pressão sobre os mercados da energia
Inflação e energia são o maior receio das empresas portuguesas

A inflação e os custos da energia são vistos como a maior ameaça para as empresas portuguesas nos próximos tempos. De acordo com o inquérito "Leading the Future Economy", 45,2% dos profissionais participantes identificam a subida dos preços e dos custos energéticos como o principal risco para as organizações onde trabalham.

O estudo da consultora QSP – Marketing Management & Research, divulgado antes da realização da 19.ª edição do QSP Summit, surge numa altura em que a instabilidade no Médio Oriente tem aumentado a pressão sobre os mercados energéticos internacionais, alimentando preocupações sobre novos aumentos de custos para empresas e consumidores.

Além da inflação, os participantes destacam outras ameaças relevantes para o tecido empresarial.

O risco de ciberataques foi apontado por 40,7% dos inquiridos, enquanto a disrupção tecnológica e a crescente influência da inteligência artificial foram identificadas por 37,9%.

O estudo envolveu 290 profissionais, sobretudo quadros médios e superiores, sendo possível selecionar mais do que uma opção de resposta.

Segundo a consultora, os resultados refletem um ambiente empresarial cada vez mais marcado pela incerteza e pela necessidade de adaptação rápida às mudanças económicas e tecnológicas.

Maioria prevê desaceleração ou estagnação da economia

As perspetivas dos inquiridos para os próximos 12 meses apontam para um cenário económico pouco otimista.

Cerca de 34,8% acreditam que a economia deverá entrar numa fase de desaceleração, enquanto 19,3% antecipam um período de estagnação.

Por outro lado, apenas 19% consideram mais provável um cenário de crescimento moderado.

As perceções dos profissionais surgem numa altura em que os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) apontam para uma estagnação da economia portuguesa no primeiro trimestre de 2026 face ao trimestre anterior. Em termos homólogos, a economia registou um crescimento de 2,3%.

Quando questionados sobre as características que irão marcar a economia nos próximos três anos, 42,1% dos participantes consideram que esta será sobretudo mais imprevisível.

Já 29,7% acreditam que o principal traço da economia futura será uma maior digitalização.

O estudo revela ainda que cerca de 76% dos inquiridos consideram que a geopolítica internacional será uma fonte crescente de incerteza económica, enquanto mais de 70% defendem que as regras tradicionais da economia já não são suficientes para responder aos desafios emergentes.

Empresas sentem-se pouco preparadas

Outra das conclusões do relatório prende-se com a capacidade de preparação das organizações para enfrentar este novo contexto.

Segundo o estudo, apenas 20% dos profissionais consideram que as empresas estão claramente preparadas para competir num ambiente mais global, complexo e imprevisível.

Para o presidente executivo do QSP Summit, Rui Ribeiro, os desafios atuais ultrapassam a dimensão tecnológica.

"Este estudo mostra que o principal desafio das organizações deixou de ser apenas tecnológico. A pressão económica, a imprevisibilidade geopolítica e a necessidade de adaptação contínua estão a obrigar empresas e lideranças a rever prioridades estratégicas, modelos de decisão e competências críticas para competir", afirmou.

Os resultados serão debatidos na 19.ª edição do QSP Summit, um dos principais eventos nacionais dedicados à gestão, marketing e estratégia empresarial.

A iniciativa decorre entre 30 de junho e 2 de julho, com sessões no Porto e na Exponor, em Matosinhos, esperando reunir cerca de 3.500 participantes.

Entre os principais oradores confirmados está o economista Nouriel Roubini, conhecido pelas suas análises sobre riscos económicos globais.