Indústria do vidro de embalagem estima prejuízos de milhões após Kristin

Os impactos incluem os custos de reconstrução de infraestruturas críticas — nomeadamente coberturas, sistemas de filtragem e armazéns — bem como as exportações perdidas durante os períodos de paragem forçada
Indústria do vidro de embalagem estima prejuízos de milhões após Kristin

A Associação dos Industriais de Vidro de Embalagem (AIVE) estimou esta segunda-feira em milhões de euros os prejuízos provocados pela passagem da Kristin, que afetou unidades industriais na Marinha Grande e na Figueira da Foz, somando custos de reconstrução a perdas significativas de exportações.

“Os prejuízos vão ser de milhões”, disse o presidente da AIVE, sublinhando “o estado em que estão as fábricas na Marinha Grande, e mesmo na Figueira da Foz”, e referindo que “todos os atores desta indústria na região estão bastante danificados”.

SegundoTiago Moreira da Silva, os impactos incluem os custos de reconstrução de infraestruturas críticas — nomeadamente coberturas, sistemas de filtragem e armazéns — bem como as exportações perdidas durante os períodos de paragem forçada.

Das três empresas associadas da AIVE — BA Glass, Vidrala e Verallia Portugal — o diretor da Vidrala, Carlos Barranha, destacou a situação das duas unidades da empresa na Marinha Grande, que habitualmente produzem entre oito e 10 milhões de garrafas por dia, mas que estiveram sujeitas a quatro dias de paragem total.

Estão em causa seis fornos e 23 linhas de produção, que representam cerca de mil postos de trabalho diretos e uma produção diária aproximada de 2.400 toneladas de vidro. Estas unidades encontram-se agora em “fase de restabelecimento progressivo da capacidade produtiva”, sendo ainda desconhecidos os custos totais de reparação e reposição das instalações.

Apesar dos danos nos armazéns, onde existem “milhares de toneladas de stock”, Carlos Barranha garantiu que a empresa tem conseguido manter o abastecimento aos clientes sem atrasos relevantes, destacando também o apoio prestado aos trabalhadores e às suas famílias, através da distribuição de gasóleo, água, alimentos, refeições nas cantinas e acesso aos balneários das fábricas.

Tanto Carlos Barranha como Tiago Moreira da Silva, que é também CEO da BA Glass, elogiaram o empenho dos trabalhadores da indústria vidreira e de todos os que têm colaborado nos esforços de recuperação.

Para o presidente da AIVE, é agora essencial que o pacote de apoios anunciado pelo Governo seja concretizado “de forma rápida e eficaz”, sublinhando que os postos de trabalho não estarão em risco caso as empresas consigam retomar a atividade com brevidade.

“O grande problema é ficar sem energia elétrica durante muito tempo”, alertou, citado pela agência Lusa, acrescentando que cortes prolongados podem levar a perdas de negócio difíceis de recuperar e, nesse cenário, a lay-offs ou despedimentos.

Tiago Moreira da Silva defendeu ainda a necessidade de retirar lições do sucedido, apontando falhas na coordenação e comunicação entre autoridades após a passagem da depressão. Criticou igualmente a atuação da E-Redes, considerando que a informação prestada às indústrias afetadas deveria ter sido mais clara e transparente, sobretudo face aos impactos de cortes prolongados de energia em setores intensivos como o do vidro.

A Kristin atravessou Portugal continental na quarta-feira, provocando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, número ao qual se juntam outras vítimas registadas nos dias seguintes em diferentes concelhos. O temporal causou ainda centenas de ocorrências, incluindo quedas de árvores e estruturas, cortes de energia, água e comunicações, condicionamentos rodoviários e ferroviários e o encerramento de escolas.

Os distritos mais afetados foram Leiria, por onde o sistema entrou no território, Coimbra e Santarém. O Governo decretou situação de calamidade, entretanto prolongada até 8 de fevereiro.