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A IAG decidiu não apresentar uma proposta não vinculativa pela TAP, considerando que a aquisição de uma participação minoritária não se enquadra na estratégia do grupo.
“Após uma análise cuidadosa, a IAG decidiu que não seria do melhor interesse dos nossos acionistas avançar com o processo de aquisição de uma participação na TAP”, declarou a empresa, acrescentando que prefere concentrar-se em oportunidades de crescimento dentro do próprio grupo, incluindo a expansão das suas marcas líderes e projetos de parcerias estratégicas como o IAG Loyalty.
Já na semana passada, o nosso jornal tinha noticiado que o grupo tinha estado reticente pelo facto de a companhia aérea ser apenas privatizada em 44,9% do capital, com 5% reservado aos trabalhadores, ficando qualquer participação não subscrita sujeita ao direito de preferência do futuro comprador.
De acordo com a notícia, um especialista admitia também que a atual conjuntura internacional poderá condicionar as propostas, nomeadamente a do grupo IAG, já que a Qatar Airways é o seu principal acionista. «A atual situação internacional pode ter dado um certo arrefecimento em termos de interesse, até porque não sabemos quanto tempo vai durar este conflito e que impacto terá no futuro».
A corrida à privatização concentra-se agora em dois grupos
Com a saída da IAG, a privatização da TAP ficará a cargo de Air France-KLM e Lufthansa.
A Lufthansa submeteu já uma oferta não vinculativa, destacando planos de expansão no mercado brasileiro, reforço do ‘hub’ de Lisboa e crescimento da operação no Porto. Apesar de adquirir apenas uma participação minoritária, o grupo alemão pretende assegurar influência na gestão executiva da TAP.
Por seu turno, a Air France-KLM sublinha a sua experiência com acionistas estatais e a importância estratégica da aviação para os países onde opera, com destaque para o Estado francês (27,98%) e o neerlandês (9,13%). O CEO Benjamin Smith afirmou que a TAP se encaixa na estratégia multi-hub do grupo e que o objetivo é reforçar operações em Lisboa e desenvolver a conectividade noutras cidades, incluindo o Porto.
Próximos passos do processo de privatização
O caderno de encargos prevê a alienação de até 44,9% do capital da TAP, com 5% reservado aos trabalhadores, e qualquer participação não subscrita ficará sujeita ao direito de preferência do futuro comprador.
A Parpública terá agora 30 dias para elaborar um relatório para o Governo, podendo suspender o prazo se solicitar esclarecimentos aos proponentes.
Após esta fase, o Conselho de Ministros selecionará as candidaturas consideradas mais adequadas e convidará os escolhidos a apresentar propostas vinculativas, com prazo máximo de 90 dias. Segue-se o relatório final da Parpública, a seleção da melhor proposta ou negociações para propostas melhoradas, culminando na assembleia-geral da TAP para aprovar as deliberações necessárias à privatização.
O Governo mantém a expectativa de concluir todo o processo, que inclui a Portugália e a Unidade de Cuidados de Saúde TAP, até ao verão, dependendo ainda das autorizações regulatórias, nomeadamente da Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia.