terça-feira, 21 jul. 2026

IA vai multiplicar por sete consumo de eletricidade dos centros de dados até 2050

A Inteligência Artificial poderá fazer disparar o consumo de eletricidade dos centros de dados em mais de 600% até 2050. Um relatório da OPEP alerta que estes sistemas representarão 8% da procura mundial de eletricidade e aumentarão a pressão sobre as redes energéticas
IA vai multiplicar por sete consumo de eletricidade dos centros de dados até 2050

O crescimento da Inteligência Artificial (IA) deverá multiplicar por sete o consumo de eletricidade dos centros de dados até 2050, altura em que este setor representará cerca de 8% da procura mundial de energia elétrica, segundo um relatório divulgado esta quinta-feira pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).

As conclusões constam das "Perspetivas Mundiais do Petróleo para 2050", apresentadas em Viena, na Áustria, e apontam para um dos maiores desafios das próximas décadas: garantir capacidade suficiente nas redes elétricas para responder ao rápido crescimento da IA e dos centros de dados.

De acordo com o documento, o consumo de eletricidade associado à IA e aos centros de dados aumentará em 3.606 terawatts-hora (TWh) até meados do século, passando de 602 TWh em 2025 para cerca de 4.208 TWh em 2050.

Este crescimento fará com que estes sistemas passem de representar aproximadamente 2% da procura global de eletricidade para cerca de 8%.

A OPEP destaca que a Inteligência Artificial será um dos principais motores do aumento do consumo mundial de eletricidade, que deverá crescer mais de 85% nas próximas décadas, ultrapassando os 50.500 TWh em 2050.

Também a produção global de eletricidade deverá aumentar significativamente, passando de cerca de 32.000 TWh em 2025 para 59.500 TWh em 2050, impulsionada sobretudo pelo crescimento económico e industrial dos países em desenvolvimento, em especial na Ásia.

Redes elétricas sob pressão

O relatório alerta que o ritmo de crescimento da procura por eletricidade para alimentar centros de dados está já a colocar pressão sobre as infraestruturas energéticas, sobretudo nas economias mais desenvolvidas.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a procura proveniente da IA e dos centros de dados está a crescer mais rapidamente do que a capacidade das redes elétricas para responder às necessidades, levando algumas empresas tecnológicas a equacionar a construção de sistemas próprios de produção de energia, fora da rede pública.

Segundo a OPEP, os centros de dados exigem um fornecimento contínuo, ininterrupto e altamente fiável de eletricidade, uma necessidade que as fontes renováveis nem sempre conseguem assegurar devido à sua produção intermitente.

Energia nuclear ganha protagonismo

Perante este cenário, a organização destaca a crescente aposta das grandes empresas tecnológicas na energia nuclear para garantir o abastecimento energético dos futuros centros de dados.

Amazon, Google, Microsoft e Meta já anunciaram acordos ou manifestaram interesse em projetos de fornecimento de eletricidade baseados em energia nuclear, muitos deles associados ao desenvolvimento de pequenos reatores modulares (SMR), uma tecnologia apontada como uma das soluções para responder às necessidades energéticas da Inteligência Artificial.