sexta-feira, 13 mar. 2026

Hoteleiros algarvios pedem suspensão temporária do novo sistema de controlo de fronteiras

AHETA lembra que o mercado do Reino Unido, que representa mais de 50% do tráfego no Aeroporto de Faro entre abril e outubro e está sujeito a estes novos controlos biométricos e de registo.
Hoteleiros algarvios pedem suspensão temporária do novo sistema de controlo de fronteiras

A AHETA - Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve está apreensiva quanto à implementação do novo sistema europeu de controlo de fronteiras, o Entry/Exit System (EES). “Este sistema, que resultou de um acordo entre 29 países do Espaço Schengen, começou a ser testado em outubro de 2025 e tem a sua operabilidade total prevista para abril de 2026, coincidindo precisamente com o arranque da época alta na região algarvia”, revela em comunicado, dizendo que já transmitiu essa preocupação ao primeiro-ministro.

A associação admite “que as ineficiências já demonstradas pelo sistema têm provocado filas monumentais em diversos aeroportos europeus, destacando o caso crítico do Aeroporto de Lisboa, onde o Governo se viu forçado a suspender a aplicação do EES por três meses, no final de 2025, para evitar o colapso da operação e repor a normalidade no fluxo de passageiros”.

Uma preocupação que, segundo a AHETA, é amplificada pelo facto de o mercado do Reino Unido, que representa mais de 50% do tráfego no Aeroporto de Faro entre abril e outubro, ser externo ao Espaço Schengen e, por isso, estar totalmente sujeito a estes novos controlos biométricos e de registo.

E mão fica por aqui ao admitir “que o esforço contínuo de diversificação de mercados, que tem trazido resultados muito positivos na captação de turistas provenientes dos Estados Unidos e do Canadá, poderá ser severamente comprometido, uma vez que estes passageiros de longo curso também enfrentarão as mesmas barreiras burocráticas à chegada”.

E após uma reunião recente com a direção do Aeroporto de Faro, a AHETA manifesta o seu profundo receio de que as perspetivas para o verão de 2026 sejam assustadoras, antevendo-se um cenário de congestionamento agravado que poderá superar o caos vivido em anos anteriores, resultando em danos irreparáveis para a reputação e imagem do Algarve enquanto destino turístico de excelência.

Perante este cenário, a AHETA insta o Governo a seguir as recomendações da ABTA (Associação Britânica de Agentes de Viagens) e a aplicar, na sua máxima extensão, as medidas de contingência previstas pela União Europeia.

Para a AHETA, “a hospitalidade portuguesa é incompatível com as imagens de filas intermináveis, sendo fundamental proteger a rentabilidade das empresas e a qualidade da experiência turística que define a região”.