quinta-feira, 16 abr. 2026

Guerra com o Irão faz disparar petróleo e agrava instabilidade nos mercados globais

A valorização do petróleo e do gás resulta sobretudo do risco de quebra na oferta global, provocado pelos ataques a infraestruturas energéticas e pelas perturbações nas rotas de transporte, em particular no estratégico estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial
Guerra com o Irão faz disparar petróleo e agrava instabilidade nos mercados globais

O preço do barril de petróleo Brent crude disparou mais de 55% desde o início do conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irão, há cerca de um mês, refletindo o impacto direto da guerra nos mercados energéticos e financeiros internacionais.

A escalada militar, iniciada a 28 de fevereiro, rapidamente destruiu a aparente estabilidade dos mercados, levando o Brent a aproximar-se dos 120 dólares por barril — máximos de vários anos — enquanto o West Texas Intermediate (WTI) subiu perto de 50%, atingindo a fasquia dos 100 dólares.

A valorização do petróleo e do gás resulta sobretudo do risco de quebra na oferta global, provocado pelos ataques a infraestruturas energéticas e pelas perturbações nas rotas de transporte, em particular no estratégico estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

O conflito, que já provocou uma redução significativa da oferta global de crude, está a introduzir um prémio de risco elevado nos mercados, com analistas a admitirem novos picos de preços caso as hostilidades se prolonguem ou atinjam instalações críticas iranianas.

Em paralelo, o gás natural disparou mais de 70%, refletindo o receio de escassez energética num contexto de crescente incerteza geopolítica.

Bolsas em queda e pressão inflacionista

O choque energético teve reflexos imediatos nas bolsas internacionais, que registaram quedas expressivas após vários índices terem atingido máximos antes do início da guerra.

Ao mesmo tempo, os mercados começam a antecipar um regresso da pressão inflacionista, impulsionada pela subida dos custos da energia — um cenário que poderá forçar os principais bancos centrais a reverem a política monetária.

Para já, tanto o Banco Central Europeu como a Reserva Federal optaram por manter as taxas de juro inalteradas nas reuniões de março, sinalizando prudência perante a volatilidade.

Ouro perde estatuto de refúgio

Num movimento inesperado, o ouro — tradicional ativo de refúgio em períodos de crise — registou uma queda de cerca de 14,5%, pressionado pela valorização do dólar face ao euro, que reduziu a atratividade do metal precioso para investidores internacionais.

O cenário mais temido pelos mercados — uma guerra prolongada — começa a materializar-se. A continuidade dos combates e os ataques a navios petroleiros e países vizinhos estão a ampliar o risco sistémico e a aumentar a volatilidade nos mercados globais.

Com a energia no epicentro da crise, o impacto económico poderá estender-se muito para além do Médio Oriente, penalizando sobretudo economias importadoras, como as europeias, e reacendendo receios de estagflação à escala global.