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A greve no Metropolitano de Lisboa registou esta quinta-feira uma adesão de 100% nas categorias profissionais abrangidas pelo pré-aviso, levando ao encerramento total do serviço,
Segundo Sara Gligó, dirigente da FECTRANS, a paralisação abrange inspetores e responsáveis de áreas críticas como o Posto de Comando Central, Sala de Comando e Comando de Energia e da Tração — funções essenciais para o funcionamento da rede.
Apesar de reuniões realizadas na quarta-feira entre sindicatos e administração, não foi possível alcançar um acordo. “A empresa fez um esforço de aproximação, mas insuficiente para responder às pretensões dos trabalhadores”, explicou Sara Gligó, citada pela agência Lusa.
Após o encontro, os representantes sindicais transmitiram aos trabalhadores os resultados das negociações, tendo sido mantida a greve de 24 horas.
O braço-de-ferro deverá continuar. Está já convocada uma nova greve para 14 de abril, também de 24 horas, sem serviços mínimos decretados pelo tribunal arbitral.
Ainda assim, foi determinada a prestação de serviços mínimos de segurança, com três trabalhadores a assegurar o funcionamento do Posto de Comando Central.
Trabalhadores denunciam assédio e falta de condições
Ao contrário do que é habitual, as reivindicações não passam por aumentos salariais, mas sim por questões relacionadas com condições de trabalho, organização de serviços e formação profissional.
A dirigente sindical aponta problemas como alegadas situações de assédio laboral, falta de contratação e acumulação de funções. “Há trabalhadores a desempenhar funções equivalentes a duas chefias”, alertou.
Entre os pontos de discórdia estão ainda alterações de funções e a recusa da empresa em aceitar trocas diretas entre trabalhadores.
Na véspera da greve, a administração do Metropolitano de Lisboa já tinha antecipado o encerramento do serviço entre as 23h00 de quarta-feira e as 06h30 de sexta-feira.
Embora a paralisação envolva apenas cerca de 6% dos 1.600 trabalhadores — seis das cerca de 40 categorias profissionais —, a empresa reconhece que estas funções são críticas, comprometendo toda a operação.
A administração garante que apresentou “soluções concretas” durante as negociações, mas aguarda agora nova proposta sindical, que deverá ser entregue ainda hoje.
Os sindicatos vão enviar uma nova proposta à empresa, que terá até segunda-feira para responder. Caso não haja avanços, o Metro de Lisboa poderá enfrentar nova paralisação já na próxima terça-feira.
O impasse mantém-se, com impacto direto na mobilidade na capital e milhares de passageiros afetados.