quinta-feira, 16 abr. 2026

Governo aprova pacote energético com travão aos preços e apoios a famílias em caso de crise

O Conselho de Ministros aprovou um pacote energético que inclui mecanismos de travão aos preços, apoios a famílias vulneráveis, promoção de energias renováveis e redução da dependência externa de energia.

O Conselho de Ministros aprovou esta quinta-feira um conjunto de diplomas destinados a reforçar a soberania e a segurança energética em Portugal, prevendo mecanismos de proteção dos consumidores — sobretudo os mais vulneráveis — em cenários de crise provocados pela subida dos preços do petróleo e do gás.

Entre as principais medidas está a criação de um novo mecanismo de intervenção nos preços da energia, que poderá ser ativado sempre que se verifique um aumento superior a 70% no mercado de retalho ou quando os preços ultrapassem 2,5 vezes a média dos últimos cinco anos, atingindo mais de 180 euros por megawatt/hora (MWh).

Estado poderá fixar preços abaixo do custo

Em caso de declaração de crise energética, o Governo poderá avançar com medidas excecionais de apoio a famílias e empresas, incluindo a fixação de preços da energia abaixo do custo de mercado. Segundo explicou o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, a diferença será suportada pelo Estado e recuperada posteriormente.

A aplicação deste mecanismo implica também obrigações de redução de consumo: as famílias terão de limitar o uso de energia a 80% do consumo do ano anterior, enquanto as empresas terão de reduzir para 70%.

De acordo com o Executivo, estas medidas seguem as diretivas europeias e, em contexto de crise energética formalmente declarada, não serão consideradas auxílios de Estado pela União Europeia.

Proteção reforçada para consumidores vulneráveis

O pacote inclui ainda medidas específicas para consumidores economicamente mais frágeis, como:

  • Proibição de cortes no fornecimento de energia durante períodos críticos de consumo, como inverno e verão

  • Obrigatoriedade de planos de pagamento faseado em caso de incumprimento

  • Garantia de fornecimento mínimo antes de qualquer interrupção do serviço

  • Disponibilização de contratos com preço fixo por um ano em regiões com mais de 200 mil habitantes

As comercializadoras passam também a ser obrigadas a assegurar um fornecimento mínimo de eletricidade equivalente a 1,5 kVA antes de qualquer corte.

Aposta nas renováveis e redução da dependência externa

Paralelamente, o Governo aprovou vários diplomas para acelerar a transição energética, com destaque para o reforço da produção de energia a partir de fontes renováveis e para o incentivo ao autoconsumo.

Entre as medidas está a criação de zonas de aceleração para energias renováveis, onde os projetos terão processos de licenciamento simplificados — uma iniciativa aguardada desde 2024.

Foi ainda aprovado um mecanismo que permite transferir capacidade de injeção na rede elétrica não utilizada para outros produtores, bem como a dispensa de licenciamento para unidades de produção descentralizada até 800 kW.

Gases renováveis ganham impulso

No setor do gás, o Executivo aprovou um diploma que promove a injeção de gases renováveis, como biometano e hidrogénio verde, na rede nacional. A medida prevê também um modelo de partilha de custos para a ligação dos produtores à infraestrutura.

O biometano, produzido a partir de resíduos urbanos e pecuários, é apontado pelo setor como uma alternativa relevante para reduzir a dependência de importações de gás natural.

Medidas dependem da evolução dos preços

O Governo sublinha que este conjunto de instrumentos ficará disponível para aplicação imediata, caso os preços da energia voltem a subir de forma acentuada.

Para já, segundo o ministro da Presidência, os valores ainda estão abaixo dos limiares definidos, mas o Executivo pretende garantir uma resposta rápida e eficaz caso o cenário se agrave.