segunda-feira, 17 ago. 2026

FMI revê em baixa crescimento mundial

Previsão está abaixo da estimativa de abril, com influência dos efeitos negativos da guerra no Médio Oriente, mas não só
FMI revê em baixa crescimento mundial

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu em baixa a previsão de crescimento da economia mundial para este ano, apontando agora para um crescimento de 3%, menos 0,1 pontos percentuais do que na atualização publicada em abril. Para 2027, o organismo mantém uma recuperação moderada, estimando um crescimento global de 3,4%.

Na atualização do World Economic Outlook, o FMI justifica a revisão com o impacto da guerra no Médio Oriente, a subida dos preços da energia, a fragmentação do comércio internacional e a persistência de um elevado nível de incerteza económica. Em contrapartida, considera que o investimento associado à inteligência artificial continua a sustentar a atividade em várias economias.

A inflação mundial deverá situar-se em 4,7% em 2026, acima da previsão anterior (4,1%), refletindo sobretudo o aumento dos custos energéticos. O FMI alerta, contudo, que permanecem riscos significativos para o cenário económico, nomeadamente uma eventual intensificação das tensões geopolíticas e novos choques nos mercados financeiros.

Na Zona Euro, a estimativa é pior: O FMI também reviu em baixa a previsão de crescimento para 0,9% em 2026, refletindo o impacto dos preços elevados da energia e de um contexto externo mais adverso. A instituição considera que a região continua particularmente vulnerável à evolução dos mercados energéticos devido à sua dependência das importações.

No caso de Portugal, recorde-se, o FMI já tinha dado as suas perspetivas há umas semanas. Reduziu igualmente a previsão de crescimento económico para 1,8% em 2026, abaixo da estimativa apresentada em abril. O organismo antecipa que a economia portuguesa continue a crescer acima da média da Zona Euro, embora enfrente um contexto internacional mais exigente, marcado pelo abrandamento da procura externa e pelo aumento dos custos da energia.

O FMI sublinha que a evolução da economia mundial continuará a depender da estabilização da situação geopolítica, da trajetória da inflação e da capacidade dos bancos centrais em assegurar a estabilidade de preços sem comprometer o crescimento económico.