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O Fundo Monetário Internacional (FMI) está a realizar reuniões com bancos portugueses no âmbito da avaliação regular ao setor bancário nacional, com o objetivo de analisar a solidez das instituições financeiras e identificar potenciais riscos.
O Banco de Portugal (BdP) explicou que estes contactos se inserem no Programa de Avaliação do Setor Financeiro (Financial Sector Assessment Program – FSAP), um exercício de rotina conduzido pelo FMI que teve início em meados de 2025.
“O Fundo Monetário Internacional iniciou no ano passado um programa de avaliação ao setor financeiro português. Trata-se de um exercício de rotina que envolve uma análise aprofundada à resiliência do sistema financeiro do país e que está programado para decorrer entre 2025 e 2026”, revelou o BdP.
O regulador e supervisor bancário acrescentou que Portugal integra a lista de sistemas financeiros considerados de importância sistémica, o que implica uma avaliação obrigatória a cada cinco anos por parte do FMI. No âmbito deste processo, o organismo internacional mantém também reuniões regulares com o próprio banco central.
De acordo com a agência Lusa, nestes encontros o FMI tem demonstrado particular atenção à exposição dos bancos portugueses ao setor da construção e do imobiliário, bem como à dívida pública, áreas que podem representar riscos futuros para a estabilidade financeira.
As conclusões da avaliação ao sistema financeiro português serão divulgadas publicamente após a conclusão do processo.
Na avaliação anterior, realizada em 2022, o FMI elogiou a recuperação da banca portuguesa, destacando a redução do crédito malparado e a melhoria dos rácios de capital e de rentabilidade, tendo recomendado ao Banco de Portugal a criação de uma reserva de capital contracíclica para mitigar riscos associados à exposição ao imobiliário.
Em 2024, o Banco de Portugal anunciou que os bancos terão de constituir uma reserva contracíclica de fundos próprios de 0,75%, obrigatória a partir de julho de 2026.
O supervisor explicou que a decisão visa reforçar as chamadas ‘almofadas’ de capital numa fase favorável do ciclo económico, permitindo que o setor bancário esteja mais preparado para absorver perdas e sustentar a concessão de crédito em caso de futura crise.