segunda-feira, 13 abr. 2026

FMI pede aos governos que “pensem no impensável”

Kristalina Georgieva apela aos países para se prepararem para novos choques económicos num contexto de guerra e instabilidade internacional, recomendando resiliência e ações rápidas
FMI pede aos governos que “pensem no impensável”

A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, apelou esta segunda-feira aos governos de todo o mundo para que se preparem para novos choques económicos, num contexto marcado pela guerra com o Irão e pela crescente instabilidade internacional.

Num discurso em Tóquio, a responsável afirmou que a economia global atravessa uma “era de turbulência permanente”, defendendo que os decisores políticos devem antecipar cenários extremos.

“Se, como todos esperamos, o conflito terminar em breve, tenham a certeza de que pouco tempo depois surgirá um novo choque”, afirmou.

Segundo Georgieva, crises recentes como a pandemia de COVID-19, a Invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 e a crise inflacionista demonstram que o mundo enfrenta perturbações sucessivas.

Três conselhos para reforçar a resiliência económica

Perante este cenário, a líder do FMI deixou três recomendações aos responsáveis políticos:

  • Investir em instituições e políticas sólidas que sustentem economias fortes e crescimento impulsionado pelo setor privado;

  • Utilizar as margens das políticas fiscal, monetária e de reservas quando necessário;

  • Agir com agilidade, adaptando rapidamente as políticas económicas às mudanças do contexto global.

Estreito de Ormuz preocupa mercados energéticos

Kristalina Georgieva alertou também para os impactos imediatos da guerra, especialmente nos mercados energéticos e no comércio marítimo.

A responsável destacou que o tráfego através do Estreito de Ormuz praticamente desapareceu devido às ameaças da Guarda Revolucionária Islâmica.

Segundo o FMI, cerca de um quinto do abastecimento mundial de petróleo e do comércio de gás natural liquefeito passa normalmente por este estreito, incluindo quase metade das importações de petróleo da Ásia.

A instituição está agora a avaliar o impacto do conflito nas economias mundiais, análise que será incluída no próximo relatório de perspetivas económicas globais a apresentar nas reuniões de primavera do FMI, entre 13 e 18 de abril, em Washington D.C..

Eurogrupo alerta para “longa instabilidade”

Também o presidente do Eurogrupo, Kyriakos Pierrakakis, avisou que a Zona Euro deve preparar-se para um período prolongado de instabilidade.

Falando após uma reunião em Bruxelas, o responsável reconheceu que a economia europeia demonstrou resiliência em 2025, mas alertou para novos riscos ligados ao conflito no Médio Oriente.

Entre as principais preocupações estão:

  • possíveis perturbações nas cadeias de abastecimento;

  • subidas dos preços da energia;

  • pressões adicionais sobre a inflação.

Europa teme nova crise energética

Os governos europeus receiam um cenário semelhante à crise energética de 2022, provocada pela Invasão da Ucrânia pela Rússia, dado que a Europa depende fortemente de importações de energia provenientes de mercados globais ligados ao Médio Oriente.

Qualquer escalada militar que afete a produção ou transporte de energia — especialmente no Estreito de Ormuz — pode provocar choques nos mercados energéticos internacionais e fazer subir os preços.

O Eurogrupo indicou ainda estar a acompanhar medidas adotadas por alguns países europeus para mitigar o impacto nos consumidores, como apoios no preço da energia.