As exportações portuguesas de componentes para automóveis atingiram 3.033 milhões de euros no primeiro trimestre, uma diminuição homóloga de 6,9% face a igual período do ano passado.
Os dados foram revelados pela AFIA e indicam que, “mesmo no contexto atual, os fornecedores da indústria automóvel mantêm uma relevância estratégica para a economia nacional, representando 15,4% das exportações portuguesas de bens transacionáveis”.
Em março, as exportações de componentes automóveis situaram-se nos 1.056 milhões de euros, registando uma variação homóloga negativa de 3,2%. “Estes valores comparam com uma subida de 10,6% das exportações nacionais de bens no mesmo mês, mostrando que a cadeia de fornecimento automóvel continua pressionada pela evolução da procura nos principais mercados europeus”.
A Europa continua a concentrar a larga maioria das vendas externas do setor, representando 88,8% das exportações portuguesas de componentes automóveis. No acumulado até março, é de referir que as exportações para esta região diminuíram 6,5% face ao mesmo período do ano anterior. Em sentido positivo, as exportações para África e Médio Oriente aumentaram 13,6%, ainda que representem uma quota mais reduzida, de 5,2%.
No que se refere aos valores por país, Espanha mantém-se como o principal destino dos componentes fabricados em Portugal, com uma quota de 28,1%, seguida da Alemanha, com 22,5%, e de França, com 9,5%. As vendas para Espanha diminuíram 9,9%, para a Alemanha 2,7% e para o Reino Unido 10,4%. Em sentido contrário, registaram-se aumentos nas exportações para França, 3,8%, Marrocos, 5,8%, Itália, 12,4%, e Polónia, 19,3%. Já as exportações para os Estados Unidos recuaram 35,4%.
De acordo com José Couto, presidente da AFIA, “os dados deste primeiro trimestre confirmam a importância estratégica dos fornecedores da indústria automóvel para a economia portuguesa, mas também mostram que o setor continua a operar num contexto internacional exigente. A forte exposição aos mercados europeus torna essencial reforçar as condições de competitividade da indústria em Portugal, desde a energia e financiamento ao investimento produtivo, inovação, qualificação e estabilidade regulatória.”
Para a AFIA, “a evolução das exportações deve ser lida num contexto de transformação profunda da indústria automóvel europeia, marcada pela transição tecnológica, pela pressão sobre custos, pela reconfiguração das cadeias de valor e pela concorrência internacional”, acrescentando que, “neste sentido, é urgente a rever as condições de enquadramento que permitam às empresas continuar a investir, inovar e responder às exigências dos construtores e dos mercados globais”.