quinta-feira, 14 mai. 2026

Europa atinge recorde de produção de energia renovável com forte crescimento solar e eólico

Aumento da produção renovável teve um impacto direto na estabilidade dos preços da eletricidade, ajudando a reduzir a dependência do gás natural num período de tensão geopolítica associado ao conflito no Médio Oriente
Europa atinge recorde de produção de energia renovável com forte crescimento solar e eólico

A Europa atingiu um novo recorde na produção de eletricidade a partir de fontes renováveis no primeiro trimestre do ano, com destaque para o crescimento da energia solar e eólica.

Segundo dados divulgados pela consultora Montel, divulgados esta terça-feira, a produção total de energia renovável ascendeu a 384,9 terawatts-hora (TWh), refletindo um aumento significativo da capacidade instalada e condições favoráveis à produção, nomeadamente no setor hídrico e eólico.

O estudo abrange os países da União Europeia, bem como o Reino Unido, a Noruega, a Suíça e a Sérvia.

Entre as várias tecnologias, a energia eólica destacou-se como a principal fonte, com 173,7 TWh produzidos, o que representa um crescimento de 22% face ao primeiro trimestre de 2025. Já a energia solar registou um novo máximo histórico para este período, atingindo 52,6 TWh, um aumento de 15% em termos homólogos.

A energia hidroelétrica também teve um contributo relevante, com 128,6 TWh gerados, beneficiando de um inverno com precipitação acima da média, o que permitiu a recuperação dos níveis dos reservatórios.

Segundo a Montel, o aumento da produção renovável teve um impacto direto na estabilidade dos preços da eletricidade, ajudando a reduzir a dependência do gás natural num período de tensão geopolítica associado ao conflito no Médio Oriente.

A maior oferta de energia limpa “mitigou o impacto da crise nos mercados grossistas”, ao substituir parcialmente a geração a gás e ao suavizar os picos de preços observados no gás natural ao longo do trimestre.

Apesar do recorde de produção, a quota global de renováveis no mix energético fixou-se em 48,8%, abaixo de trimestres anteriores, devido ao aumento da procura provocado por temperaturas mais frias, sobretudo na Europa Central e de Leste.

A Península Ibérica destacou-se por não ter sido afetada pela vaga de frio, mantendo um consumo estável e beneficiando de forte produção solar.

Para o segundo trimestre, a Montel antecipa um cenário de elevada volatilidade nos mercados, com possibilidade de coexistência entre preços mínimos históricos e picos de preços durante o dia, refletindo os desafios da transição energética na Europa.