sexta-feira, 07 ago. 2026

Estado regista défice de 213 milhões de euros no primeiro semestre, mas pagamentos em atraso caem para mínimos

O Estado terminou o primeiro semestre com um défice de 213 milhões de euros, menos favorável do que há um ano. Apesar da deterioração das contas públicas, os pagamentos em atraso das entidades públicas recuaram 584 milhões de euros, impulsionados pela melhoria no setor da Saúde
Estado regista défice de 213 milhões de euros no primeiro semestre, mas pagamentos em atraso caem para mínimos

O Estado registou um défice de 213 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, refletindo uma deterioração de 2.230,4 milhões de euros face ao mesmo período do ano passado, segundo a síntese de execução orçamental divulgada esta sexta-feira pela Entidade Orçamental.

De acordo com o relatório, a evolução negativa das contas públicas foi determinada sobretudo pelo desempenho da Administração Central, cujo saldo diminuiu 3.668,4 milhões de euros em termos homólogos.

Sem o impacto dos pagamentos destinados à regularização de dívidas do Serviço Nacional de Saúde (SNS), a quebra do saldo da Administração Central teria sido de 2.300,8 milhões de euros, refere o documento.

Segurança Social e autarquias melhoram saldo

Apesar do agravamento das contas da Administração Central, os restantes subsetores das administrações públicas apresentaram uma evolução positiva.

A Segurança Social registou uma melhoria do saldo de 1.015,5 milhões de euros, enquanto a Administração Local melhorou 358,8 milhões de euros e a Administração Regional apresentou um saldo superior em 63,6 milhões de euros face ao período homólogo.

Entre janeiro e junho, os saldos global e primário da Administração Central e da Segurança Social fixaram-se em 1.147,8 milhões de euros e 2.893,2 milhões de euros, respetivamente, embora ambos tenham recuado em comparação com o primeiro semestre de 2025.

Pagamentos em atraso descem 584 milhões de euros

A síntese de execução orçamental revela ainda uma melhoria significativa nos pagamentos em atraso das entidades públicas.

No final de junho, o montante em dívida ascendia a 278,9 milhões de euros, menos 584 milhões de euros do que um ano antes e menos 36,5 milhões de euros do que no final de maio.

Segundo a Entidade Orçamental, a redução homóloga foi impulsionada sobretudo pelo setor da Saúde, onde os pagamentos em atraso diminuíram 529,4 milhões de euros.

Também a Administração Regional registou uma redução de 48,1 milhões de euros, enquanto a Administração Local reduziu os pagamentos em atraso em 17 milhões de euros.

Na comparação com o mês anterior, a melhoria ficou igualmente a dever-se, sobretudo, à Administração Regional e ao setor da Saúde.

Os dados divulgados refletem a execução orçamental das administrações públicas até ao final de junho e permitem acompanhar a evolução das contas públicas ao longo do primeiro semestre do ano.