O Estado registou um défice de 213 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, refletindo uma deterioração de 2.230,4 milhões de euros face ao mesmo período do ano passado, segundo a síntese de execução orçamental divulgada esta sexta-feira pela Entidade Orçamental.
De acordo com o relatório, a evolução negativa das contas públicas foi determinada sobretudo pelo desempenho da Administração Central, cujo saldo diminuiu 3.668,4 milhões de euros em termos homólogos.
Sem o impacto dos pagamentos destinados à regularização de dívidas do Serviço Nacional de Saúde (SNS), a quebra do saldo da Administração Central teria sido de 2.300,8 milhões de euros, refere o documento.
Segurança Social e autarquias melhoram saldo
Apesar do agravamento das contas da Administração Central, os restantes subsetores das administrações públicas apresentaram uma evolução positiva.
A Segurança Social registou uma melhoria do saldo de 1.015,5 milhões de euros, enquanto a Administração Local melhorou 358,8 milhões de euros e a Administração Regional apresentou um saldo superior em 63,6 milhões de euros face ao período homólogo.
Entre janeiro e junho, os saldos global e primário da Administração Central e da Segurança Social fixaram-se em 1.147,8 milhões de euros e 2.893,2 milhões de euros, respetivamente, embora ambos tenham recuado em comparação com o primeiro semestre de 2025.
Pagamentos em atraso descem 584 milhões de euros
A síntese de execução orçamental revela ainda uma melhoria significativa nos pagamentos em atraso das entidades públicas.
No final de junho, o montante em dívida ascendia a 278,9 milhões de euros, menos 584 milhões de euros do que um ano antes e menos 36,5 milhões de euros do que no final de maio.
Segundo a Entidade Orçamental, a redução homóloga foi impulsionada sobretudo pelo setor da Saúde, onde os pagamentos em atraso diminuíram 529,4 milhões de euros.
Também a Administração Regional registou uma redução de 48,1 milhões de euros, enquanto a Administração Local reduziu os pagamentos em atraso em 17 milhões de euros.
Na comparação com o mês anterior, a melhoria ficou igualmente a dever-se, sobretudo, à Administração Regional e ao setor da Saúde.
Os dados divulgados refletem a execução orçamental das administrações públicas até ao final de junho e permitem acompanhar a evolução das contas públicas ao longo do primeiro semestre do ano.