quarta-feira, 13 mai. 2026

Escassez de querosene pode afetar turismo em Portugal

Apesar do cenário hipotético, Miranda Sarmento manifestou esperança de que a situação não se concretize, mas admitiu que o Governo teria de responder a um eventual choque desta dimensão
Escassez de querosene pode afetar turismo em Portugal

O ministro das Finanças alertou esta terça-feira, em Bruxelas, que eventuais problemas no abastecimento de querosene para a aviação poderão ter um “impacto muito significativo” na economia portuguesa, sobretudo devido à forte dependência do turismo.

No final de uma reunião do Ecofin, Joaquim Miranda Sarmento sublinhou que a maioria dos visitantes que chegam a Portugal depende exclusivamente do transporte aéreo. “Mais de 90% dos turistas chegam de avião”, afirmou, acrescentando que, sem combustível disponível a nível europeu, “os aviões não chegarão a Portugal e os turistas também não”.

O alerta surge num contexto de preocupação crescente com a estabilidade do abastecimento energético na Europa, particularmente no que diz respeito ao querosene, combustível essencial para a aviação.

De acordo com a agência Lusa, Miranda Sarmento sublinhou que o turismo é uma das principais indústrias da economia nacional, com impacto direto nas receitas e no emprego, pelo que um eventual choque no abastecimento teria efeitos imediatos e significativos.

Apesar do cenário hipotético, o ministro manifestou esperança de que a situação não se concretize, mas admitiu que o Governo teria de responder a um eventual choque desta dimensão.

União Europeia acompanha riscos no setor energético

Também o comissário europeu para a Energia, Dan Jørgensen, confirmou que a União Europeia está a acompanhar a possibilidade de constrangimentos no abastecimento de querosene, embora tenha sublinhado que não existe ainda uma situação de crise.

Segundo o responsável europeu, os Estados-membros estão a preparar-se para eventuais perturbações, sobretudo num contexto de instabilidade nos mercados energéticos.

O alerta surge num cenário de maior volatilidade nos mercados internacionais, impulsionada pelo conflito no Médio Oriente, que envolve EUA, Israel e Irão, e que tem afetado rotas estratégicas como o estreito de Ormuz, uma das principais vias globais de transporte de petróleo e gás.

As perturbações nesta região têm contribuído para a subida dos preços da energia e para um aumento da incerteza nos mercados, com potenciais impactos no setor da aviação e no turismo europeu.

A Comissão Europeia garante estar a monitorizar a situação, enquanto os governos nacionais, incluindo Portugal, avaliam possíveis cenários de resposta a eventuais constrangimentos no abastecimento energético.