terça-feira, 09 jun. 2026

Empresários dos EUA travam investimentos em Portugal devido às mudanças na Lei da Nacionalidade

As alterações à Lei da Nacionalidade estão a gerar “incerteza e insegurança” entre investidores norte-americanos interessados em Portugal. A responsável da RedBridge Lisbon admite que vários projetos dos EUA estão a ser travados enquanto aguardam clarificações sobre as novas regras
Empresários dos EUA travam investimentos em Portugal devido às mudanças na Lei da Nacionalidade

As alterações à Lei da Nacionalidade estão a travar decisões de investimento de cidadãos norte-americanos em Portugal, admite Filipa Pinto Carvalho, cofundadora da RedBridge Lisbon.

A responsável afirma que as mudanças legislativas criaram um clima de “incerteza e insegurança” entre investidores dos Estados Unidos interessados em fixar-se ou investir no país.

“Diria que esse tem sido um fator que tem posto algum travão nas decisões de investimento”, reconheceu Filipa Pinto Carvalho, que também é cofundadora da AGPC e da Here Partners, além de vice-presidente da ANJE.

Criada há quatro anos, a RedBridge Lisbon pretende aproximar Lisboa de Silicon Valley e consolidar-se como ponte entre os ecossistemas empresariais português e norte-americano.

Segundo a responsável, a tensão geopolítica entre a administração de Donald Trump e a Europa não teve impacto significativo na comunidade empresarial ligada ao projeto.

“Tem havido uma tendência grande de pessoas da Califórnia a vir para Portugal” e esse movimento “não diminuiu”, afirmou Filipa Pinto Carvalho, à margem da SIM Conference, realizada no Porto.

A responsável considera que Portugal continua atrativo para investidores e empreendedores norte-americanos devido ao equilíbrio entre qualidade de vida, localização estratégica e crescimento do ecossistema tecnológico.

“Muitas vezes dizem-me que isto parece o Silicon Valley há 30 anos”, afirmou, citada pela agência Lusa.

Segundo Filipa Pinto Carvalho, programas como os vistos gold e o regime de Residente Não Habitual ajudaram a despertar o interesse dos norte-americanos por Portugal.

Além da mudança de residência, a responsável nota agora uma maior disponibilidade de investidores dos EUA para apoiar startups portuguesas e envolver-se diretamente no ecossistema tecnológico nacional.

Ainda assim, admite que a alteração das regras da nacionalidade portuguesa gerou forte descontentamento junto de clientes norte-americanos assessorados pela AGPC.

“Existe uma sensação de quebra do contrato que o Estado tinha com estes investidores”, sublinhou, recordando que muitos contavam poder obter a nacionalidade portuguesa após cinco anos de residência.

Com as novas regras, o prazo foi alargado, aumentando a incerteza quanto à concretização de futuros investimentos.

“Se estes novos investidores vão investir ou vão retrair-se face a estas alterações, os próximos meses dirão”, afirmou.

Apesar das reservas em torno da nova legislação, a RedBridge Lisbon continua a crescer. Segundo Filipa Pinto Carvalho, já existem casos de investidores norte-americanos que aplicaram capital em startups portuguesas após contactos estabelecidos através da comunidade.

O projeto prepara agora um novo evento anual em São Francisco, com o apoio do consulado português, da AICEP, da Startup Portugal e da Unicorn Factory Lisboa.

Os detalhes da iniciativa serão apresentados a 28 de maio, durante o evento “Crossing the Bridge”, dedicado à internacionalização de startups portuguesas para o mercado norte-americano.