segunda-feira, 17 ago. 2026

EDP aumenta lucros para 732 milhões de euros no primeiro semestre impulsionada pelas renováveis e redes elétricas

A EDP lucrou 732 milhões de euros nos primeiros seis meses do ano, mais 3% do que no período homólogo. O crescimento foi impulsionado pelo desempenho das energias renováveis e das redes elétricas, apesar da descida dos preços da eletricidade na Península Ibérica.
EDP aumenta lucros para 732 milhões de euros no primeiro semestre impulsionada pelas renováveis e redes elétricas

A EDP registou um lucro atribuível aos acionistas de 732 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 3% face ao mesmo período do ano passado, beneficiando do forte desempenho das energias renováveis e da atividade das redes elétricas.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o grupo explica que a evolução positiva dos resultados foi impulsionada sobretudo pela contribuição da EDP Renováveis (EDPR) e pelo arranque do novo período regulatório das redes na Península Ibérica. Estes fatores compensaram parcialmente o impacto da descida dos preços de venda da eletricidade em Portugal, Espanha e outros mercados europeus.

O EBITDA recorrente — resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações — aumentou 5%, para 2,73 mil milhões de euros, refletindo a melhoria do desempenho operacional do grupo.

Redes elétricas e renováveis sustentam crescimento

A área das redes foi um dos principais motores dos resultados, com o EBITDA recorrente a crescer 14%, apoiado por um aumento de 16% nas redes ibéricas. Segundo a empresa, este desempenho resulta do reforço do investimento e da aplicação de uma taxa de remuneração mais favorável no âmbito dos novos períodos regulatórios.

No Brasil, o EBITDA das redes aumentou 11%, impulsionado pela expansão do mercado e pela entrada em funcionamento de novos ativos de transmissão.

Já a EDP Renováveis registou um crescimento de 8% no EBITDA — ou 12%, excluindo o efeito cambial — graças à expansão do portefólio, sobretudo nos Estados Unidos, e aos ganhos obtidos com a rotação de ativos em Itália.

Por outro lado, a área de geração flexível e clientes registou uma quebra de 5% no EBITDA, penalizada por custos superiores aos esperados com serviços de sistema, apesar das boas receitas provenientes da bombagem, do gás e de condições hidrológicas acima da média.

Investimento em redes cresce 24%

No primeiro semestre, a EDP investiu 550 milhões de euros nas redes elétricas em Portugal e Espanha, um aumento de 24% face ao período homólogo.

O presidente executivo da empresa, Miguel Stilwell d'Andrade, destacou que as redes elétricas "passaram a ser um grande motor de crescimento" da EDP, sublinhando que esse desempenho resulta de um enquadramento regulatório mais favorável.

O gestor defendeu ainda que os Estados Unidos continuam a ser um mercado estratégico para o grupo, afastando interpretações de desinvestimento após a venda de 80% de um portefólio da EDP Renováveis naquele país.

"O mercado dos EUA é um mercado importantíssimo para nós", afirmou, lembrando que cerca de 60% do investimento da EDP Renováveis continua a ser canalizado para aquele mercado e que as vendas de ativos fazem parte da estratégia habitual de rotação do portefólio.

Dívida sobe para 17 mil milhões e procura de eletricidade reforça perspetivas

A dívida líquida da EDP atingiu 17 mil milhões de euros no final de junho, refletindo o plano de investimentos em curso, a geração orgânica de caixa e a valorização do real brasileiro face ao euro.

Durante o semestre, a empresa distribuiu ainda 848 milhões de euros em dividendos aos acionistas.

Miguel Stilwell d'Andrade mostrou-se otimista quanto à evolução da procura de eletricidade, salientando que Portugal deverá registar um crescimento anual entre 4% e 5% nos próximos anos, impulsionado pela eletrificação da economia, pelo aumento da utilização de veículos elétricos, sistemas de ar condicionado e pelo desenvolvimento de centros de dados.

O responsável adiantou ainda que o negócio de comercialização apresenta sinais de estabilização, travando a perda de quota de mercado e de clientes verificada nos últimos trimestres.