A dívida pública portuguesa, na ótica de Maastricht — o indicador utilizado pela União Europeia para avaliar as contas públicas — subiu para 92,9% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre de 2026, mais 1,9 pontos percentuais do que no trimestre anterior, revelou esta segunda-feira o Banco de Portugal (BdP).
De acordo com o banco central, a dívida pública atingiu, em junho, os 293,9 mil milhões de euros, o que representa um aumento de 5,2 mil milhões face ao mês de maio.
Segundo o BdP, esta evolução resulta sobretudo do aumento das responsabilidades em títulos de dívida, que cresceram 4,7 mil milhões de euros, principalmente de longo prazo, e do acréscimo de 500 milhões de euros em depósitos, impulsionado essencialmente pelos Certificados de Aforro, que registaram uma subida de 600 milhões de euros.
Em contrapartida, os depósitos das administrações públicas aumentaram significativamente, passando para 31,4 mil milhões de euros, mais 6,6 mil milhões do que no mês anterior.
Descontando estes depósitos, a dívida pública diminuiu 1,3 mil milhões de euros, fixando-se em 262,5 mil milhões de euros, o equivalente a cerca de 83% do PIB.
Governo aponta para efeito temporário
Após a divulgação dos dados, o Ministério das Finanças justificou a subida do rácio da dívida com a necessidade de acumular liquidez para cumprir o plano de amortizações da República.
Em comunicado, a tutela liderada por Joaquim Miranda Sarmento sublinha que a evolução da dívida deve ser analisada tendo em conta a constituição destes depósitos, lembrando que Portugal reembolsou, durante o mês de julho, quase 10 mil milhões de euros relativos a uma emissão de Obrigações do Tesouro que atingiu a maturidade.
Apesar da subida registada no segundo trimestre, o Governo mantém a previsão de que a dívida pública desça para 87,5% do PIB até ao final de 2026, conforme inscrito no relatório anual de progresso enviado à Comissão Europeia em abril.
Em 2025, Portugal encerrou o ano com uma dívida equivalente a 89,7% do PIB, ficando abaixo da fasquia dos 90% pela primeira vez em 16 anos.