sexta-feira, 17 abr. 2026

Distribuição e agricultura pedem apoios ao Governo

Ministro das Finanças considera ‘extemporâneo’ anunciar medidas contra crise, como a redução do IVA.
Distribuição e agricultura pedem apoios ao Governo

A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) e a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) pedem ao Governo que avance «com um pacote coerente e eficaz de medidas que promova condições de concorrência mais equilibradas, reduza custos de contexto e apoie de forma concreta e visível, a produção nacional, salvaguardando o acesso a bens essenciais e a confiança dos consumidores».

Em causa, de acordo com as duas associações, está «o risco crescente de perda de competitividade da economia portuguesa face a Espanha, amplamente agravada pela atual crise dos preços da energia e dos combustíveis, com impactos muito evidentes ao longo de toda a cadeia de valor, da produção ao consumo».

E admitem que atual enquadramento económico, fiscal e regulatório, assim como a demora a reagir à escalada dos preços da energia e dos combustíveis, tem vindo a penalizar a capacidade competitiva das empresas nacionais face a Espanha, aprofundando assimetrias, e debilitando o tecido produtivo e que, em breve, acabará por fragilizar o poder de compra dos consumidores.

Também o Automóvel Clube de Portugal (ACP) já pediu mais apoios ao Governo para fazer face aos aumentos dos preços dos combustíveis, defendendo que o desconto sobre o ISP é insuficiente para ajudar as famílias e empresas, acusando o Executivo de continuar a «arrecadar milhões em receita fiscal através do ISP e do IVA».

Para já, o Governo tem vindo a afastar a hipótese de avançar com novas medidas para combater a subida de preços. Ainda assim, o ministro das Finanças deixou a garantia que o assunto está em cima da mesa. «As medidas de apoio às famílias relativamente ao custo de vida estão a ser analisadas, serão decididas ao longo do tempo em função da evolução da situação internacional, da economia e do custo de vida», revelou Joaquim Miranda Sarmento.

É certo que o governante já voltou a admitir que o cenário orçamental para 2026 tornou-se «muito mais exigente», não excluindo a possibilidade de défice, afastando, no entanto, a necessidade de avançar um orçamento retificativo, mas reconhecendo que a situação é «bastante dinâmica» e poderá evoluir nos próximos meses.