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A Agência Internacional de Energia (AIE) recomendou esta sexta-feira um conjunto de medidas urgentes para reduzir o consumo de combustíveis e mitigar o impacto económico da escalada do conflito no Médio Oriente, envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irão.
Entre as principais recomendações estão o regresso ao teletrabalho e a redução dos limites de velocidade nas autoestradas, numa tentativa de aliviar a pressão sobre o fornecimento mundial de petróleo.
A agência com sede em Paris defende que “trabalhar a partir de casa quando possível” pode reduzir de forma imediata o consumo de combustível. Em paralelo, recomenda a diminuição dos limites de velocidade em pelo menos 10 km/h nas autoestradas, uma medida com impacto direto na eficiência energética.
Estas ações visam sobretudo o setor dos transportes rodoviários, responsável por cerca de 45% da procura global de petróleo.
Transportes públicos e restrições ao automóvel
A AIE sugere ainda um reforço do uso de transportes públicos, incentivando a substituição do carro privado por autocarros e comboios.
Outra das propostas passa por limitar o acesso de veículos às grandes cidades, através de sistemas de rotação de matrículas — uma medida já aplicada em anteriores crises energéticas.
A partilha de viaturas e a adoção de práticas de condução eficiente são igualmente apontadas como soluções rápidas para reduzir o consumo.
Menos voos e mudanças no uso do GPL
No setor da aviação, a agência recomenda evitar viagens de avião sempre que existam alternativas, como comboios de alta velocidade. Segundo a AIE, a redução das viagens de negócios em 40% poderá poderá diminuir a procura de combustível para aviões entre 7% e 15%.
Outra medida passa por desviar o uso de gás lde petróleo liquefeito dos transportes para usos essenciais, como cozinhar ou aquecer água, incentivando simultaneamente alternativas elétricas.
Estreito de Ormuz no centro da crise
A AIE alerta que o atual contexto representa um dos maiores choques de abastecimento da história recente, devido às perturbações no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
Desde o início da escalada militar, no final de fevereiro, os preços do crude já ultrapassaram os 100 dólares por barril, com analistas a admitirem que possam atingir os 200 dólares caso a situação se agrave.
Para o diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, os governos devem liderar a resposta com medidas imediatas e direcionadas.
“A experiência de crises anteriores mostra que apoios bem direcionados são mais eficazes do que subsídios generalizados”, sublinha a agência.
Impacto direto nas famílias
A subida dos preços do petróleo está já a refletir-se no custo dos combustíveis e no orçamento das famílias, com efeitos indiretos no preço dos transportes, bens alimentares e serviços.
Neste contexto, a AIE defende que a redução da procura é essencial para estabilizar os mercados e proteger os consumidores, enquanto não houver uma resolução para o conflito no Médio Oriente.
Em resumo, conheça as dez recomendações:
Trabalhar a partir de casa sempre que possível para poupar combustível.
Reduzir os limites de velocidade nas autoestradas em pelo menos 10 km/h para diminuir o consumo.
Incentivar o uso de transportes públicos para reduzir a procura de petróleo.
Limitar o acesso de automóveis nas grandes cidades através de um sistema de rotação de matrículas.
Aumentar a partilha de veículos.
Promover uma condução eficiente nos veículos comerciais através da otimização de cargas e da manutenção.
Desviar o uso de gás de petróleo liquefeito (GPL) do transporte para preservar este recurso para necessidades essenciais, como cozinhar.
Evitar viagens aéreas sempre que possível.
Incentivar o uso de cozinha elétrica e outras alternativas para reduzir a dependência do GPL.
Ajudar as instalações industriais a alternar entre diferentes matérias-primas petroquímicas para libertar GPL.