O setor automóvel também foi fortemente afetado pela depressão Kristin, que causou elevada destruição em Portugal na semana passada, levando à paralisação de fábricas de componentes automóveis e a impactos na produção de clientes europeus.
Segundo o presidente da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA) existem unidades industriais que ainda não conseguiram retomar a atividade devido à gravidade dos danos.
“Há fábricas que ainda não conseguiram arrancar a produção porque a sua situação é um desastre total. Foram destruídas estruturas dos edifícios e os equipamentos ficaram paralisados, quer por falta de condições de trabalho, quer por danos causados pela chuva e por destroços”, afirmou José Couto.
Cerca de 20 empresas afetadas
De acordo com a AFIA, cerca de 20 empresas da indústria automóvel, localizadas entre Aveiro e Alcobaça, foram afetadas pelo temporal, um número considerado “significativo” num universo de cerca de 360 empresas do setor em Portugal.
Algumas unidades poderão demorar bastante tempo a retomar a produção, devido a danos estruturais e prejuízos nos equipamentos.
Impacto em clientes na Europa
As paragens em Portugal já estão a ter reflexos além-fronteiras. “Há linhas paradas e clientes que tiveram de alterar os seus planos de produção”, explicou José Couto, citado pela agência Lusa, sublinhando que o impacto total ainda está por avaliar.
Os principais efeitos fazem-se sentir em Espanha e Alemanha, principais destinos das exportações do setor, mas também em França, onde algumas fábricas enfrentam dificuldades devido à suspensão do fornecimento de componentes produzidos em Portugal.
Retoma gradual e problemas estruturais
Apesar da gravidade da situação em algumas unidades, há fábricas que já conseguiram reiniciar a produção após dois a quatro dias de paragem, sobretudo aquelas que enfrentaram cortes de energia e danos considerados mais ligeiros.
“A maior parte das fábricas que estavam sem eletricidade já recuperaram o fornecimento e preparavam-se para arrancar”, referiu o responsável, alertando, no entanto, que a falta prolongada de energia e internet dificultou o contacto com as empresas, obrigando a uma monitorização contínua da situação.
José Couto destacou que os danos nas coberturas dos edifícios são particularmente críticos, uma vez que a exposição à chuva e à humidade provoca prejuízos significativos nos equipamentos industriais, considerados altamente sensíveis.
Falta de mão-de-obra e apoio estatal
O presidente da AFIA alertou ainda para dificuldades na disponibilidade de mão-de-obra especializada para as reparações, embora considere que a estrutura de missão criada pelo Governo tem a situação identificada e está a trabalhar para apoiar as empresas afetadas.
A depressão Kristin causou dez mortes, centenas de feridos e desalojados, além de destruição parcial ou total de casas, empresas e infraestruturas, cortes de energia, água e comunicações, e fortes perturbações nos transportes.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de apoios que pode atingir 2,5 mil milhões de euros.