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A agência de notação financeira DBRS Morningstar prevê uma desaceleração gradual do crescimento dos preços da habitação em Portugal, mas considera que o mercado continuará a enfrentar fortes pressões devido à escassez de oferta.
Numa análise divulgada esta quinta-feira, a agência aponta a redução dos fluxos migratórios, a subida da inflação e um eventual aperto das condições de crédito como fatores que poderão contribuir para moderar a evolução dos preços nos próximos anos.
Ainda assim, a DBRS considera que o desequilíbrio entre oferta e procura continuará a sustentar valores elevados no mercado residencial português.
"As pressões sobre os preços permanecerão elevadas", refere a agência, salientando que as limitações do lado da oferta apenas deverão ser resolvidas de forma gradual.
Agência afasta cenário de bolha imobiliária
Apesar da forte valorização registada nos últimos anos, a DBRS afasta o risco de uma bolha imobiliária em Portugal e em Espanha.
Segundo a análise, as restrições estruturais na construção e uma desaceleração progressiva da procura deverão impedir uma correção abrupta dos preços.
A agência destaca ainda uma diferença relevante face ao ciclo imobiliário que antecedeu a crise financeira de 2008: o crescimento recente não foi alimentado por um aumento excessivo do endividamento das famílias.
"O rácio entre a dívida das famílias e o rendimento disponível, em ambos os países, desceu de cerca de 100% em 2008-2012 para aproximadamente 50% em 2025", sublinha, citada pela agência Lusa.
Preços das casas duplicaram em Portugal desde 2019
De acordo com as estimativas da DBRS, os preços da habitação em Portugal duplicaram desde 2019, enquanto em Espanha o aumento acumulado ronda os 50%.
A agência atribui esta evolução a uma conjugação de fatores económicos favoráveis, incluindo o crescimento populacional, a criação de emprego, o aumento dos rendimentos e as baixas taxas de juro verificadas nos últimos anos.
"Os fundamentos macroeconómicos do lado da procura sustentaram o crescimento dos preços dos imóveis", refere o relatório.
Portugal enfrenta défice superior a 300 mil habitações
A DBRS considera que a principal fragilidade do mercado imobiliário continua a ser a insuficiência da oferta.
Segundo a análise, Portugal acumula atualmente um défice superior a 300 mil habitações, enquanto em Espanha esse número ultrapassa as 700 mil casas.
A reduzida atividade da construção civil desde a crise imobiliária de 2008 é apontada como uma das principais causas desta situação.
A escassez de mão-de-obra qualificada, o aumento dos custos dos materiais de construção, a limitada disponibilidade de terrenos urbanizáveis e a morosidade dos processos de licenciamento são igualmente identificados como fatores que dificultam o aumento da oferta.
Compradores estrangeiros e turismo pressionam mercado
A agência destaca ainda o impacto da procura internacional no mercado habitacional da Península Ibérica.
Segundo a DBRS, a procura por parte de compradores estrangeiros e o crescimento do turismo contribuíram para agravar as dificuldades de acesso à habitação, sobretudo em zonas urbanas e destinos turísticos.
O aumento do alojamento de curta duração também é apontado como um dos elementos que reduziram a disponibilidade de imóveis para habitação permanente.
Para a DBRS, estas limitações representam problemas estruturais difíceis de resolver no curto prazo e deverão continuar a alimentar o desfasamento entre a oferta e a procura, mantendo a pressão sobre os preços da habitação em Portugal e Espanha.