CTT: Menos cartas e mais  encomendas é o desafio do novo CEO

Mantém-se a incerteza em torno do banco. João Bento chegou a admitir a sua venda.
CTT: Menos cartas e mais  encomendas é o desafio do novo CEO

Quase sete anos depois, a administração dos Correios irá mudar de mãos. João Bento será substituído pelo atual CFO, Guy Pacheco, que terá um desafio pela frente: enfrentar a queda do negócio tradicional dos CTT e manter o crescimento da atividade expresso e encomendas. Uma transformação que foi sendo assumida pela ainda atual administração e que é visível pelo resultados operacionais da empresa. Em 2019, o correio representava cerca de 2/3 das receitas, no 3.º trimestre de 2025 representa cerca de 1/3, refletindo a mudança estrutural do negócio, em que o operador postal tradicional deu ligar ao operador logístico de comércio eletrónico, com presença ibérica, onde são processados mais de 580 mil pacotes por dia.

Outro desafio dos últimos anos passou pela reabertura das lojas em sede de concelho, que tinham sido encerradas, totalizando 566 lojas CTT e mais de 1.800 pontos CTT, além de cerca de cinco mil agentes Payshop, que funcionam como extensão dos serviços postais e de pagamento. A liderança de João Bento ficou ainda marcada pela renegociação do contrato de concessão do Serviço Postal Universal, garantindo a prestação do serviço até 2028, com maior previsibilidade e estabilidade regulatória, assim como por uma série de aquisições e parcerias. É o caso da compra da Cacesa, em 2025, líder no desalfandegamento de encomendas extra-UE (especialmente da Ásia), da Decopharma para reforçar o negócio de logística de produtos farmacêuticos e a joint venture ibérica com a DHL, operador mundial de expresso e encomendas, com o objetivo de catapultar os CTT para a liderança ibérica no e-commerce.

 

Incerteza em torno do banco

Uma dor de cabeça para o próximo CEO diz respeito ao futuro do Banco CTT que, em 2024, foi alvo de uma injeção de 25 milhões de euros no capital da instituição financeira por parte da Genenerali em troca de uma participação de 8,71%.

Em 2024, João Bento chegou a admite que o grupo poderia decidir vender a totalidade do Banco CTT, apesar de preferir manter uma minoria do capital. «Estamos a considerar todas as possibilidades, até vender a totalidade do banco. A minha preferência seria nós mantermos uma posição minoritária no banco, visto que ele irá operar na nossa rede de lojas», declarou, nessa altura, à Bloomberg.

O banco fundado em 2015 conta atualmente com mais de 800 mil clientes, mais de 700 mil contas correntes e com 212 balcões, instalados nas lojas CTT.