sexta-feira, 12 jun. 2026

Crescimento da economia portuguesa para este ano revisto em baixa

"É natural que as perspetivas para o crescimento da economia portuguesa acompanhem a tendência de revisão em baixa observada na generalidade das economias europeias, uma vez que persiste a alta do petróleo, do gás natural e de diversas matérias-primas, depois da subida rápida dos preços registada em março”, alerta a CIP.
Crescimento da economia portuguesa para este ano revisto em baixa

A previsão de crescimento da economia para 2026 deverá ser revisto em baixa, passando de 1,8% para 1,5%, de acordo com o Barómetro da CIP/ISEG. “Para a totalidade do ano de 2026, é natural que as perspetivas para o crescimento da economia portuguesa acompanhem a tendência de revisão em baixa observada na generalidade das economias europeias, uma vez que persiste a alta do petróleo, do gás natural e de diversas matérias-primas, depois da subida rápida dos preços registada em março”, afirma Rafael Alves Rocha, diretor-geral da CIP.

De acordo com o responsável, mantêm-se o risco de uma repercussão mais permanente e generalizada do choque negativo na oferta dos bens energéticos, com reflexos inevitáveis sobre as perspetivas de crescimento para 2026.

“Há a expectativa de uma subida, já em junho, das taxas de juro diretoras do Banco Central Europeu (BCE), mesmo que venha a ser alcançado um acordo de paz no Médio Oriente”, afirma o diretor-geral da CIP. “A verificar-se este aumento das taxas de juro, ele agravará ainda mais o impacto negativo do choque energético na economia”.

Neste cenário, o Barómetro de Conjuntura Económica CIP/ISEG contrapõe às tendências globais negativas a entrada na fase final de execução do Programa de Recuperação e Resiliência – PRR, o qual reforçará o crescimento do investimento em Portugal que já foi observado no primeiro trimestre. Se o PRR mantiver o ritmo de execução que o Governo espera até ao final do ano, este programa será um contributo central para sustentar o crescimento da economia nacional.

Cimento e automóveis puxam pelo crescimento

A análise do Barómetro de Conjuntura Económica CIP/ISEG destaca ainda pela negativa em abril o decréscimo do indicador de confiança dos consumidores pelo terceiro mês consecutivo, atingindo o valor mais baixo desde novembro de 2023. Na indústria transformadora, após a recuperação do Índice de Produção e do Índice de Volume de Negócios em março, o indicador de confiança volta a evoluir negativamente em abril. Também no setor dos serviços se observou uma degradação das perspetivas das empresas.

Pelo contrário, os indicadores de confiança nos setores da construção e obras públicas e do comércio a retalho melhoraram, conduzindo a uma ligeira recuperação no indicador de clima económico registado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Entre os indicadores de atividade setorial referentes a abril já disponíveis, salienta-se a evolução muito positiva do consumo de cimento e do comércio de automóveis.