terça-feira, 21 jul. 2026

Contrafação provoca perdas de 420 milhões de euros em Portugal. Vestuário é o setor mais afetado

A venda de produtos contrafeitos está a custar 420 milhões de euros por ano à economia portuguesa. O vestuário concentra mais de 80% das perdas, numa altura em que cresce o número de consumidores, sobretudo jovens, que admitem comprar artigos falsificados
Contrafação provoca perdas de 420 milhões de euros em Portugal. Vestuário é o setor mais afetado

A contrafação de produtos de moda e design provoca perdas anuais de cerca de 420 milhões de euros em Portugal, sendo o setor do vestuário o mais afetado

Dados divulgados esta terça-feira pelo Instituto da Propriedade Intelectual da União Europeia mostram que os artigos de vestuário falsificados representam prejuízos de 337 milhões de euros por ano para as empresas portuguesas, enquanto os setores das malas, joalharia e relógios registam perdas estimadas em 83 milhões de euros.

De acordo com a entidade europeia, os números refletem o impacto económico crescente da contrafação, impulsionada pela expansão do comércio eletrónico e pela facilidade de acesso a produtos falsificados através de plataformas digitais e redes sociais.

Moda perde milhares de milhões na União Europeia

A nível europeu, o impacto é ainda mais expressivo.

Segundo o EUIPO, o setor da moda e do vestuário perde cerca de 12 mil milhões de euros por ano devido à venda de produtos contrafeitos.

Já os fabricantes de malas, joias e relógios enfrentam perdas anuais estimadas em 2,7 mil milhões de euros em vendas que acabam desviadas para o mercado ilegal.

A instituição alerta que a contrafação não afeta apenas as receitas das empresas, mas também a inovação, a competitividade e o emprego associado às indústrias criativas.

Consumidores valorizam o design, mas continuam a comprar falsificações

Apesar do crescimento do mercado de produtos contrafeitos, os consumidores europeus continuam a demonstrar uma forte valorização do design.

Os resultados de um inquérito realizado à escala da União Europeia mostram que metade dos consumidores considera importante o design dos produtos que adquire.

Além disso, 73% dos inquiridos afirmam estar dispostos a pagar mais por artigos que apresentem um design mais atrativo, inovador ou diferenciado.

Ainda assim, a procura por produtos falsificados mantém-se significativa.

Segundo o estudo, 13% dos consumidores europeus admitem ter comprado intencionalmente produtos contrafeitos.

Entre os mais jovens, a realidade é ainda mais expressiva.

Na faixa etária dos 15 aos 24 anos, a percentagem sobe para 26%, o que significa que mais de um em cada quatro jovens reconhece ter adquirido artigos falsificados de forma consciente.

O EUIPO associa esta tendência à crescente influência das redes sociais e à proliferação de plataformas de comércio eletrónico que facilitam a circulação destes produtos.

Autoridades alertam para riscos económicos e de qualidade

A entidade europeia recorda que a compra de produtos contrafeitos tem consequências que vão além dos prejuízos financeiros para as marcas.

Além de alimentarem redes ilegais de produção e distribuição, muitos destes artigos não cumprem normas de segurança, qualidade ou proteção do consumidor.

O combate à contrafação continua a ser uma das prioridades da União Europeia, numa tentativa de proteger a propriedade intelectual, a inovação empresarial e os direitos dos consumidores.

Os dados agora divulgados mostram que, apesar da crescente valorização do design e da criatividade, o mercado dos produtos falsificados continua a representar um desafio significativo para a economia portuguesa e europeia.