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Conteúdos produzidos por Inteligência Artificial (IA) estão a contribuir para a construção de narrativas de insegurança e podem influenciar negativamente a perceção de risco dos cidadãos, com impacto direto no turismo, segundo um estudo internacional divulgado esta terça-feira pela Universidade de Coimbra.
A investigação, desenvolvida por uma equipa que integra especialistas da Universidade de Coimbra, instituições académicas da Índia e a Universidade de East London, analisou de que forma imagens, vídeos e notícias gerados ou amplificados por sistemas de IA moldam a opinião pública, sobretudo em contextos de crise.
De acordo com o estudo, a exposição a conteúdos noticiosos produzidos com recurso a inteligência artificial pode levar potenciais visitantes a sobrestimar os perigos associados a determinados destinos, reduzindo a intenção de viajar.
“Os conteúdos gerados por IA sobre zonas de conflito podem afastar turistas”, alerta a docente da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Cláudia Seabra, citada em comunicado.
O efeito é particularmente significativo em cenários de elevada incerteza, onde a informação circula rapidamente e nem sempre é devidamente verificada.
A perceção de insegurança induzida por conteúdos gerados por IA pode ter consequências económicas relevantes, ao reduzir o fluxo turístico e afetar diretamente negócios locais, emprego e desenvolvimento regional.
IA amplifica conteúdos sensacionalistas
Os investigadores alertam ainda que a inteligência artificial não se limita a reproduzir informação existente, podendo também amplificar tendências sensacionalistas e contribuir para uma perceção distorcida da realidade.
Ao contrário do jornalismo tradicional, que segue critérios de verificação e contextualização, os conteúdos gerados por IA — frequentemente disseminados nas redes sociais — podem descontextualizar acontecimentos ou criar cenários plausíveis, mas não verificados.
“Esta distinção torna-se crítica em contextos de conflito”, sublinha Cláudia Seabra, acrescentando que estes conteúdos tendem a gerar perceções mais negativas e generalizadas do que aquelas resultantes do consumo de media tradicionais.
Perante estes resultados, os investigadores defendem a necessidade de um debate urgente sobre o papel da IA na formação da opinião pública, bem como o reforço de mecanismos de regulação e de literacia mediática.
A Universidade de Coimbra sublinha que compreender o impacto destas tecnologias é essencial para mitigar riscos, sobretudo em setores sensíveis como o turismo.