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O consumo mundial de vinho caiu 2,7% em 2024 para 208 milhões de hectolitros, atingindo o nível mais baixo desde 1957, de acordo com dados divulgados pela Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV). Portugal surge, contudo, entre os poucos mercados que contrariaram a tendência global, registando um crescimento de 5,6%.
Segundo o relatório da OIV, nove dos 10 maiores mercados mundiais de vinho registaram quedas no consumo ao longo do último ano, refletindo a desaceleração da procura internacional e as mudanças nos hábitos de consumo.
Os EUA mantiveram-se como o principal mercado mundial, apesar de uma redução de 4,3%, para 31,9 milhões de hectolitros consumidos.
Na Europa, os recuos foram generalizados. Itália liderou as descidas entre os grandes produtores e consumidores, com uma quebra de 9,4%, seguindo-se a Rússia (-5,5%), Espanha (-5,2%), Alemanha (-4,3%) e França (-3,2%).
A China registou uma das maiores quedas globais, com o consumo de vinho a cair 13%, confirmando a tendência de retração do mercado asiático observada nos últimos anos.
Em sentido contrário, apenas alguns países apresentaram crescimento significativo, destacando-se o Brasil, com uma subida expressiva de 41,9%, e Portugal, que reforçou o consumo interno num contexto internacional adverso.
O relatório da OIV mostra também uma redução no comércio internacional de vinho. As exportações mundiais caíram 4,7% em volume, para 94,8 milhões de hectolitros.
Em valor, a quebra foi ainda mais acentuada: as exportações desceram 6,6%, para 33.800 milhões de euros, ficando 4,4% abaixo da média dos últimos cinco anos.
Segundo a organização, a retração do comércio internacional resulta de vários fatores, entre eles as tarifas impostas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, sobre vinhos importados pelos EUA, a diminuição da procura nos principais mercados consumidores e as flutuações cambiais.
Também os preços médios do vinho exportado registaram um recuo. Em 2024, o preço médio caiu 2,1%, fixando-se em 3,56 euros por litro.
Apesar da quebra no consumo e nas exportações, a produção mundial de vinho apresentou sinais de recuperação. Em 2025, a produção global aumentou 0,6%, para 227 milhões de hectolitros.