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A economia portuguesa cresceu 1,9% em 2025, segundo a estimativa rápida divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o que representa uma desaceleração face ao aumento de 2,1% em 2024.
Um valor que fica aquém das estimativas previstas pelo Governo que apontou para um crescimento de 2% no Orçamento do Estado para 2026, ao encontro das estimativas do Banco de Portugal, que apontavam para o mesmo valor, segundo o Boletim Económico de dezembro. Valores que já tinham sido antecipados pelos economistas contactados pelo Nascer do SOL
Ao nosso jornal, Luís Aguiar-Conraria não esperava grandes surpresas em relação ao desfecho do ano. «Os últimos dados que temos – e não me parece que venha a haver mudanças relevantes – é que a economia portuguesa em 2025, face a toda a conjuntura internacional que inclui o aumento de tarifas do lado dos Estados Unidos, está bem. O desemprego provavelmente fechou no ano passado abaixo dos 6%, continua muito baixo. A economia há de ter crescido mais do que a média europeia e estará seguramente no topo das que mais cresceram. Continuo a achar que grande parte do pessimismo sobre a economia portuguesa decorre de algum pessimismo crónico que os portugueses têm e que não está baseado verdadeiramente em factos».
Um comportamento que tem levado a economia nacional ser elogiada face aos seus pares. E, segundo o economista, isso não se deve só à publicação da The Economist que chamou a atenção da Europa para Portugal ao sermos distinguidos como a economia do ano – tendo em conta cinco indicadores económicos: inflação, o desvio da inflação, PIB, o emprego e o desempenho da bolsa de valores – como também resultará das verbas recebidas no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). «Se os fundos de coesão já beneficiam à partida os países mais pobres, como é o caso de Portugal, o PRR beneficiou ainda mais. É evidente que há muita coisa que se pode fazer na economia para melhorar, mas, para já, os grandes números não são desfavoráveis e isso é bom».
Já Paulo Monteiro Rosa apontava que o PIB português tivesse crescido entre 1,9% e 2% em 2025, uma queda face a 2024. Esta desaceleração, de acordo com o economista do Banco Carregosa, «é justificada sobretudo pelo menor dinamismo das exportações e pelo crescimento mais moderado do emprego, afetado pelo abrandamento da população ativa, apesar disso o mercado de trabalho ainda se mantém resiliente».
E lembrou que o crescimento económico em 2025 manteve-se assente na procura interna, sobretudo pelo consumo privado, suportado pelo aumento do rendimento disponível das famílias, e do investimento, em particular do investimento público associado à execução do PRR. «Estes fatores permitiram sustentar a economia portuguesa, mantendo um crescimento superior ao da média da Zona Euro, embora a um ritmo mais moderado do que no ano anterior», disse ao Nascer do SOL.
O Barómetro de Conjuntura Económica CIP – Confederação Empresarial de Portugal /ISEG já tinha confirmado o abrandamento da economia portuguesa no quarto trimestre de 2025 e, em linha com as previsões dos economistas contactados pelo Nascer do SOL, fixa a estimativa para o crescimento do ano inteiro em 1,9%.
Este abrandamento no final do ano, de acordo com o documento, resultou da moderação do contributo da procura interna. «Apesar desta moderação, o consumo privado deverá ter mantido a dinâmica recente, sustentada no desempenho muito positivo do mercado de trabalho, em custos de financiamento moderados e no impacto das medidas orçamentais no rendimento disponível das famílias», refere.
Para Rafael Alves Rocha, diretor-geral da CIP, o crescimento de 1,9% em 2025 vem confirmar que «o desempenho da economia portuguesa está a enfraquecer para um ritmo inferior ao dos anos anteriores à pandemia, correndo o risco de estagnar o processo de convergência com a União Europeia que estava a ser alcançado nos últimos anos» referindo que «para relançar de forma sustentada a atividade económica é preciso alterar o padrão de crescimento, com um maior contributo do investimento e das exportações e uma dependência menor do crescimento do consumo».
Números que convencem Paulo Monteiro Rosa, ao considerar esta possível desaceleração no último trimestre de 2025, após 0,8% no trimestre anterior, compatível com um crescimento anual de cerca de 1,9%, sobretudo num contexto de abrandamento das exportações e de menor dinamismo do emprego.
E aponta para o facto de o crescimento da economia portuguesa ter-se mantido sobretudo assente em três pilares: o turismo, o aumento da população empregada, ainda que em desaceleração face aos anos anteriores, e o contributo do investimento estrangeiro.
PRR como tábua de salvação
Tal como tem sido defendido pelos economistas, também a Comissão Europeia reconhece que o PRR funcionou como um balão de oxigénio para a economia portuguesa. E os números falam por si: ao todo, a ‘bazuca’ tem um valor de 22,2 mil milhões de euros, com 16,3 mil milhões de euros em subvenções e 5,9 mil milhões de euros em empréstimos do Mecanismo de Recuperação e Resiliência. Este montante representa 8,18% do PIB português e corresponde a 303 investimentos e 86 reformas.
Isso significa que Portugal está entre os países que deverão registar maiores ganhos em termos de PIB. Atualmente, já recebemos 10,41 mil milhões de euros em subvenções e 3,39 mil milhões de euros em empréstimos e a taxa de execução do plano é de 52%.