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O consumo de eletricidade em Portugal atingiu um novo máximo histórico no primeiro semestre de 2026, ao totalizar 27.200 gigawatts-hora (GWh), um aumento de 3,5% face ao mesmo período do ano passado.
Segundo os dados divulgados esta quinta-feira pela REN – Redes Energéticas Nacionais, corrigindo os efeitos da temperatura e do número de dias úteis, o crescimento foi de 3,3%.
De acordo com a REN, trata-se do "consumo mais elevado de sempre registado no sistema nacional" para os primeiros seis meses do ano, ultrapassando em cerca de 900 GWh o anterior recorde, alcançado em 2025.
Junho mantém tendência de crescimento
Também em junho o consumo de eletricidade continuou a aumentar.
Segundo a REN, a procura de energia elétrica cresceu 3% em termos homólogos, ou 2,5% após correção dos efeitos da temperatura e do calendário.
No mesmo período, as condições meteorológicas favoreceram de forma distinta as diferentes fontes de produção renovável.
O índice de produtibilidade hidroelétrica ficou nos 0,54, bastante abaixo da média histórica de 1, refletindo condições desfavoráveis para a produção hídrica, apesar de os níveis de armazenamento continuarem elevados.
Já a energia eólica apresentou um índice de produtibilidade de 1,08, enquanto a energia solar registou 0,93.
A REN destaca ainda que, no dia 29 de junho, a produção fotovoltaica atingiu um novo máximo histórico instantâneo, com cerca de 3.800 megawatts (MW).
Renováveis asseguraram 71% do consumo no semestre
Entre janeiro e junho, as fontes renováveis abasteceram 71% da eletricidade consumida em Portugal.
A energia hidroelétrica representou 29% do consumo, seguindo-se a eólica com 26%, a solar fotovoltaica com 11% e a biomassa com 5%.
Já a produção a partir de gás natural assegurou 14% da eletricidade consumida, enquanto os restantes 15% corresponderam ao saldo importador.
No caso específico de junho, a produção renovável representou 55% do consumo nacional, a produção não renovável 12% e a eletricidade importada 33%.
Consumo de gás natural cresce no semestre
Relativamente ao mercado do gás natural, a REN registou uma quebra homóloga de 9% em junho, sobretudo devido à redução de 33% do consumo destinado à produção de eletricidade.
Em sentido contrário, o segmento convencional — que inclui os restantes consumidores, como famílias e empresas — registou um crescimento de 5%.
No conjunto do primeiro semestre, o consumo acumulado de gás natural aumentou 6,1% face ao mesmo período de 2025.
Durante o mês de junho, o terminal de gás natural liquefeito (GNL) de Sines abasteceu integralmente o sistema nacional. A Nigéria foi a principal origem do gás importado, com 55% do total, seguida pelos Estados Unidos (29%) e pela Rússia (16%).
Considerando o acumulado dos primeiros seis meses do ano, a Nigéria manteve-se como o principal fornecedor de gás natural a Portugal, representando 56% das importações, seguida dos Estados Unidos, com 33%.
Segundo a REN, 8% do gás consumido no país teve origem na Rússia, enquanto os restantes 7% chegaram através da interligação por gasoduto com Espanha.