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O peso das compras de supermercado no orçamento das famílias portuguesas aumentou 486 euros entre 2019 e 2025, refletindo uma maior pressão sobre o rendimento disponível e mudanças nos hábitos de consumo, segundo um inquérito divulgado pela Centromarca.
Os dados, baseados num painel da Worldpanel by Numerator com cerca de 4.000 lares representativos de Portugal Continental, indicam que o valor médio anual gasto em compras de supermercado passou de 1.707 euros em 2019 para 2.193 euros em 2025.
Se considerado o efeito da inflação acumulada, esse valor pode mesmo atingir 2.625 euros, o que representa um aumento de 918 euros face a 2019.
Segundo a análise, o crescimento das despesas tem sido mais rápido do que o aumento dos rendimentos. No mesmo período, o salário bruto terá subido cerca de 418 euros, o que ajuda a explicar a pressão crescente sobre os orçamentos familiares.
A Centromarca destaca que este desfasamento entre rendimentos e custos está a levar as famílias portuguesas a adotarem comportamentos de consumo mais prudentes, mesmo num contexto de desaceleração da inflação.
Entre as principais alterações identificadas está a mudança no padrão de compras: as famílias fazem visitas mais frequentes aos supermercados, mas com cestas mais pequenas, privilegiando compras imediatas e menos armazenamento doméstico.
Este comportamento tem impacto direto nos formatos de retalho e nas estratégias das marcas, com a associação a sublinhar que, em compras mais rápidas e menos planeadas, a escolha do consumidor tende a recair com maior frequência nas marcas de referência, associadas a maior confiança.
Os dados mostram ainda que as despesas essenciais — como habitação, energia, transportes e alimentação — continuam a representar a maior fatia do orçamento familiar. No caso específico da alimentação e bebidas não alcoólicas, Portugal apresenta um peso superior ao de vários países da zona euro.
A análise refere ainda que, apesar da melhoria de alguns indicadores macroeconómicos e da tendência de estabilização dos preços, a perceção de dificuldade económica mantém-se entre os consumidores portugueses, influenciando a forma como gerem o orçamento do dia a dia.