terça-feira, 18 ago. 2026

Combustíveis voltam a disparar: gasóleo sobe 7 cêntimos e gasolina aumenta 2,5 cêntimos já na segunda-feira

Os preços dos combustíveis vão voltar a agravar-se a partir da próxima segunda-feira, com o gasóleo a registar uma subida de sete cêntimos por litro e a gasolina a aumentar 2,5 cêntimos, segundo as previsões do Automóvel Club de Portugal (ACP). A escalada resulta da instabilidade no Médio Oriente e do impacto da valorização do petróleo nos mercados internacionais, apesar das medidas do Governo para atenuar os efeitos no bolso dos automobilistas
Combustíveis voltam a disparar: gasóleo sobe 7 cêntimos e gasolina aumenta 2,5 cêntimos já na segunda-feira

Os preços dos combustíveis vão sofrer um novo agravamento a partir da próxima segunda-feira. De acordo com as estimativas divulgadas pelo Automóvel Club de Portugal (ACP), o preço do gasóleo deverá aumentar sete cêntimos por litro, enquanto a gasolina simples 95 deverá ficar 2,5 cêntimos mais cara.

Caso as previsões se confirmem, o preço médio do litro do gasóleo passará dos atuais 1,793 euros para 1,863 euros, enquanto a gasolina subirá de 1,893 euros para 1,918 euros por litro, segundo os valores médios da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG).

Ainda assim, os preços finais poderão variar consoante o posto de abastecimento, uma vez que o mercado dos combustíveis é liberalizado e cada operador define a sua política comercial.

Médio Oriente continua a pressionar o preço dos combustíveis

A nova subida acontece num contexto de forte volatilidade nos mercados energéticos, marcada pelo agravamento das tensões no Médio Oriente.

O reacendimento do conflito envolvendo os EUA, Israel e o Irão voltou a alimentar receios sobre o abastecimento mundial de petróleo, sobretudo devido à instabilidade em torno do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio internacional de petróleo e gás natural.

Ao longo da semana, o barril de Brent — referência para Portugal — chegou a negociar perto dos 80 dólares, embora tenha encerrado a sessão de quinta-feira nos 76,30 dólares, refletindo alguma correção dos mercados.

Governo admite preocupação e acompanha evolução

O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, reconheceu que o Governo acompanha "com preocupação" a evolução da situação internacional, admitindo que um agravamento do conflito poderá ter consequências negativas na economia portuguesa.

O governante garantiu que o Executivo continuará a monitorizar a evolução dos preços dos combustíveis e que poderá atuar caso a escalada se prolongue nas próximas semanas.

"O regresso da tensão no Estreito de Ormuz preocupa-nos naturalmente. Esperávamos que o acordo de cessar-fogo permitisse uma normalização dos mercados e uma redução dos preços do petróleo, mas a situação voltou a tornar-se bastante incerta e volátil", afirmou, citado pela agência Lusa.

Desconto no ISP poderá aliviar parte da subida

Para mitigar o impacto da escalada dos preços, o Governo mantém o mecanismo extraordinário de redução do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP).

O compromisso prevê que sempre que o aumento dos combustíveis ultrapasse os 10 cêntimos seja aplicado um novo desconto temporário, acumulando com as reduções já em vigor.

Além da redução do ISP, o Executivo já anunciou a possibilidade de libertar até 10% das reservas estratégicas nacionais de combustível, em articulação com os restantes países da Agência Internacional de Energia, caso a instabilidade internacional continue a pressionar os mercados.

Segundo uma estimativa do Conselho das Finanças Públicas, o desconto extraordinário no ISP poderá representar uma redução de cerca de 777 milhões de euros na receita fiscal do Estado.

Abastecer antes de segunda-feira pode compensar

Se as previsões do ACP se confirmarem, os automobilistas que necessitem de abastecer poderão poupar alguns euros caso o façam antes da entrada em vigor da nova atualização de preços.

Ainda assim, o ACP lembra que estas estimativas foram calculadas com base nas cotações das matérias-primas no fecho dos mercados e que poderão sofrer pequenos ajustamentos até ao final da semana, dependendo da evolução do preço do petróleo e dos combustíveis nos mercados internacionais.