Segundo estimativas divulgadas por especialistas do setor energético e por plataformas de acompanhamento de preços, o gasóleo simples poderá aumentar cerca de 23 cêntimos por litro, enquanto a gasolina deverá subir cerca de 7 a 7,5 cêntimos.
A confirmar-se, trata-se de um dos aumentos semanais mais significativos dos últimos anos no mercado português de combustíveis.
Nunca o gasóleo tinha subido tanto desde 2015. A subida prevista ultrapassa mesmo os 16 cêntimos registados a 7 de março de 2022, logo após a invasão russa da Ucrânia.
Com esta atualização, o preço médio do gasóleo poderá aproximar-se dos 1,86 euros por litro, enquanto a gasolina simples deverá situar-se perto dos 1,84 euros.
Como acontece habitualmente em Portugal, os valores finais podem variar de posto para posto, já que o mercado funciona em regime de preços livres.
Crise internacional está a pressionar o petróleo
A forte subida está relacionada com a tensão geopolítica no Médio Oriente, que tem provocado uma escalada nas cotações internacionais do petróleo.
Analistas admitem mesmo que o barril possa aproximar-se dos 100 dólares, depois de uma forte subida registada nos mercados internacionais na sequência da escalada militar na região.
Este aumento do custo da matéria-prima acaba por refletir-se rapidamente nos preços pagos pelos consumidores, sobretudo em países importadores de energia como Portugal.
Governo admite travão fiscal
Perante o impacto que a subida pode ter no orçamento das famílias e das empresas, o Governo admite voltar a recorrer a um mecanismo já utilizado no passado.
Durante o debate quinzenal no Parlamento, o primeiro-ministro Luís Montenegro admitiu a possibilidade de avançar com um desconto extraordinário e temporário no ISP (Imposto sobre os Produtos Petrolíferos).
Segundo explicou, a medida poderá ser acionada caso o aumento dos combustíveis ultrapasse um determinado limiar.
“Caso se verifique uma subida de preço superior a 10 cêntimos por litro, o Governo vai introduzir um desconto extraordinário e temporário do ISP”, afirmou o chefe do Executivo.
De acordo com o primeiro-ministro, o objetivo é evitar que o aumento das cotações internacionais se traduza integralmente no preço pago pelos consumidores.
“Por esta forma devolve-se todo esse adicional às portuguesas e aos portugueses e às empresas”, acrescentou.
Condutores ponderam abastecer antes da subida
Face às previsões, muitos condutores estão já a antecipar abastecimentos antes da atualização dos preços.
Se os valores se confirmarem, o aumento do gasóleo terá impacto direto nos custos de transporte e logística, com potenciais efeitos em cadeia no preço de vários bens e serviços.
Para já, os valores finais dependerão da evolução das cotações internacionais até ao fecho da semana nos mercados energéticos.