segunda-feira, 14 set. 2026

Combustíveis: alívio nos preços pode ser temporário

Preços desceram muito nas bombas na semana passada, mas cotações internacionais já subiram de novo.
Combustíveis: alívio nos preços pode ser temporário

A descida dos preços dos combustíveis sentida esta semana pelos consumidores portugueses poderá ser de curta duração. A redução, próxima dos 10 cêntimos por litro na gasolina e no gasóleo, reflete a queda registada nos mercados internacionais no final de julho e início de agosto. Mas as cotações voltaram entretanto a subir.

Paulo Monteiro Rosa, economista sénior do Banco Carregosa, explica que o atual alívio resulta do recuo do petróleo e dos produtos refinados registado há uma a duas semanas. O desfasamento entre as cotações internacionais e a atualização semanal dos preços em Portugal fez com que essa descida só agora chegasse às bombas.

O problema, segundo o economista, é que o movimento entretanto se inverteu. O Brent recuperou cerca de 10 dólares desde os mínimos do início de agosto, enquanto o gasóleo valorizou cerca de 17% e a gasolina cerca de 12%. «O risco de inversão é elevado e, na realidade, já começou nos mercados internacionais», afirma. E avisa: «Se a recuperação recente do Brent e, sobretudo, dos produtos refinados se mantiver, a descida que chegou às bombas portuguesas poderá ser de curta duração».

Paulo Monteiro Rosa destaca ainda uma divergência entre o preço do petróleo e o dos combustíveis refinados. Apesar de o Brent continuar abaixo dos máximos de cerca de 120 dólares atingidos na primavera, o gasóleo europeu e a gasolina Eurobob voltaram para perto dos máximos recentes. Para o economista, esta evolução mostra que a pressão sobre os preços está atualmente sobretudo nas margens de refinação.

Já Henrique Tomé, analista da XTB, aponta também a forte correção das cotações internacionais como principal fator da descida recente. E lembra que o Brent passou de 102 para 82,72 dólares por barril no fecho da passada sexta-feira. A evolução foi ainda influenciada pelas expectativas de um possível acordo entre os EUA e o Irão.

O analista alerta, contudo, para a elevada volatilidade do mercado. «Não podemos afastar um cenário de subida dos preços do barril de petróleo», numa altura em que as negociações continuam a influenciar o comportamento das cotações.

E acrescenta que, em Portugal, o preço final não depende apenas do petróleo. Impostos, refinação, transporte, câmbio e a estratégia de cobertura de risco das gasolineiras também pesam na fatura.

Paulo Monteiro Rosa acrescenta que as margens dos retalhistas se mantêm próximas dos 19 cêntimos por litro no gasóleo e dos 22 cêntimos na gasolina. «Boa parte da subida dos combustíveis fósseis, sobretudo gasóleo e gasolina, na bombas de combustíveis espalhadas pelo país são explicadas sobretudo pelas margens de lucro das refinarias», diz.