terça-feira, 18 ago. 2026

Cinco maiores bancos cortam 283 empregos num ano

Os cinco maiores bancos a operar em Portugal reduziram o número de trabalhadores em 283 no espaço de um ano, apesar de terem registado lucros superiores a 2.500 milhões de euros no primeiro semestre. A redução concentrou-se na CGD, BCP e Santander Totta
Cinco maiores bancos cortam 283 empregos num ano

Os cinco maiores bancos a operar em Portugal fecharam o primeiro semestre com 25.085 trabalhadores, menos 283 do que no mesmo período de 2025, mantendo a tendência de redução gradual do emprego no setor bancário, apesar da elevada rentabilidade alcançada nos primeiros seis meses do ano.

Segundo as contas divulgadas pelas instituições, a diminuição do quadro de pessoal foi liderada pelo BCP, que terminou junho com 5.996 trabalhadores, menos 228 do que um ano antes. A Caixa Geral de Depósitos (CGD) reduziu o número de funcionários em 218, para 5.774, enquanto o Santander Totta perdeu 139 trabalhadores, encerrando o semestre com 4.527 colaboradores.

Em sentido contrário, o BPI reforçou a equipa com 276 novos trabalhadores, atingindo os 4.630 funcionários, e o Novo Banco aumentou o quadro em 26 pessoas, para um total de 4.158.

Bancos apostam na renovação geracional

A redução do emprego resulta do saldo entre contratações e saídas. Nos últimos anos, as instituições têm privilegiado programas de reformas antecipadas, pré-reformas e rescisões por acordo para trabalhadores mais velhos, ao mesmo tempo que recrutam profissionais mais jovens, sobretudo nas áreas tecnológicas, inteligência artificial e análise de dados.

A própria CGD anunciou recentemente a intenção de contratar mil trabalhadores ao longo dos próximos cinco anos, embora as saídas anuais continuem a superar as admissões em termos líquidos.

Segundo o Banco de Portugal, o setor bancário empregava 60.321 pessoas no final de 2025, registando o quarto ano consecutivo de crescimento do emprego. Ainda assim, o supervisor esclarece que esta evolução resulta sobretudo da expansão do BNP Paribas em Portugal, que já conta com mais de 9.700 trabalhadores e pretende ultrapassar os 10 mil até ao final deste ano.

Rede de balcões continua a encolher

Também a presença física dos bancos continua a diminuir. Os cinco maiores grupos encerraram, em conjunto, 44 agências nos últimos 12 meses, passando a operar 1.785 balcões.

O maior corte ocorreu no Santander Totta, que fechou 66 agências, reduzindo a rede para 261 balcões. O BCP encerrou mais 11, ficando com 385.

Em contrapartida, a CGD aumentou a rede em 17 unidades, totalizando 529 agências e centros de empresa. O Novo Banco abriu 11 novos espaços, chegando aos 302, enquanto o BPI acrescentou cinco balcões, para um total de 308.

Os dados do Banco de Portugal mostram que, no final de 2025, existiam 3.182 agências bancárias em Portugal, cerca de metade das 6.453 registadas em 2010. O encerramento de balcões continua a suscitar preocupações, sobretudo nas zonas rurais, onde muitas populações perderam acesso a serviços bancários presenciais.

Um estudo recente do supervisor concluiu que 1.241 freguesias portuguesas (40% do total) já não dispõem de qualquer ponto de acesso a dinheiro físico, seja através de balcões bancários ou caixas automáticas.

Lucros ultrapassam os 2.500 milhões

Apesar da redução de trabalhadores e da continuação da racionalização da rede comercial, os cinco principais bancos obtiveram 2.519 milhões de euros de lucros no primeiro semestre, menos 3,4% do que no período homólogo de 2025.

A CGD voltou a apresentar o melhor resultado, com 913 milhões de euros, um aumento de 2,2%. O BCP reforçou igualmente os lucros, que cresceram 12,7%, para 565,8 milhões de euros.

Já o Santander Totta registou um resultado líquido de 434 milhões de euros, menos 13,9%, o Novo Banco lucrou 367,2 milhões, uma quebra de 15,6%, e o BPI obteve 239 milhões de euros, menos 13%.

A margem financeira conjunta manteve-se praticamente estável, nos 4.408 milhões de euros, enquanto as receitas com comissões cresceram 5,3%, para 1.346 milhões de euros, confirmando que esta continua a ser uma das principais fontes de crescimento da banca portuguesa num contexto de taxas de juro elevadas.