sexta-feira, 13 mar. 2026

CGTP alerta: em 2025, 411 mil mulheres recebiam apenas o salário mínimo nacional

Segundo dados oficiais, em 2025 cerca de 140 mil mulheres acumulavam uma segunda atividade profissional, o que corresponde a mais de 5% do emprego feminino.
CGTP alerta: em 2025, 411 mil mulheres recebiam apenas o salário mínimo nacional

Um estudo divulgado esta terça-feira pela CGTP - Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - indica que a maioria das mulheres empregadas no país recebia, no final de 2025, salários base considerados baixos, refletindo desigualdades persistentes no mercado de trabalho.

De acordo com a análise, “em Portugal mais de metade dos trabalhadores (55,9%) recebia, no máximo, 1.000 euros de salário base bruto em novembro de 2025”. Entre as mulheres, esta realidade era ainda mais expressiva: quase 60% auferia até esse valor mensal.

Com base em dados do Instituto da Segurança Social, o estudo refere que, em novembro de 2025, existiam mais de dois milhões de mulheres ativas, das quais cerca de seis em cada dez ganhavam até 1.000 euros brutos. Dentro deste grupo, aproximadamente 411 mil recebiam apenas o salário mínimo nacional, então fixado nos 870 euros, representando uma em cada cinco trabalhadoras.

Entre os homens, a percentagem de salários até 1.000 euros era inferior, situando-se nos 53,5%. Ainda assim, os dados revelam que os baixos rendimentos afetam uma parte significativa da população ativa.

O relatório mostra também que quatro em cada cinco mulheres não ultrapassavam os 1.500 euros de salário base mensal. Já o rendimento médio líquido feminino, no último trimestre de 2025, era de 1.214 euros, ficando 205 euros abaixo do valor registado entre os homens.

As diferenças tornam-se mais acentuadas nos vínculos laborais precários. Segundo a central sindical, trabalhadoras com contratos a termo ou em situação de falso trabalho independente recebiam, em média, entre 20% e 33% menos do que colegas com contratos permanentes, com base em dados do INE.

“Este diferencial agrava-se nas qualificações mais elevadas”, alerta o estudo, apontando para uma desvantagem salarial de 12% no salário base e de quase 15% nos ganhos globais das mulheres.

Nos cargos de chefia e quadros superiores, a diferença é particularmente elevada: o fosso salarial ultrapassa os 700 euros mensais. Já nos quadros médios e nos profissionais altamente qualificados, os desvios variam entre 14% e 16%, segundo informação dos quadros de pessoal de 2024 do GEP/MTSSS.

Entre os trabalhadores não qualificados, o desnível é mais reduzido, rondando os 4%, sobretudo devido ao impacto do salário mínimo. Ainda assim, a CGTP sublinha que, quando se analisam os ganhos totais, as desigualdades voltam a aumentar, em parte devido ao recurso mais frequente dos homens ao trabalho extraordinário.

O estudo destaca ainda as dificuldades enfrentadas pelas trabalhadoras para fazer face ao aumento do custo de vida, especialmente nas despesas com alimentação, energia e habitação. Para muitas famílias, os salários praticados não permitem acompanhar o crescimento destes encargos.

Segundo dados oficiais, em 2025 cerca de 140 mil mulheres acumulavam uma segunda atividade profissional, o que corresponde a mais de 5% do emprego feminino. Além disso, uma em cada dez trabalhadoras encontrava-se em situação de pobreza, número que, segundo a CGTP, seria bastante superior sem o apoio das transferências sociais.

A central sindical defende que estes resultados demonstram a necessidade de reforçar políticas salariais e medidas de combate às desigualdades, de forma a garantir condições de vida mais justas para as mulheres no mercado de trabalho