segunda-feira, 17 ago. 2026

CGD lucra 913 milhões de euros e bate recorde no crédito à habitação com apoio do Estado

A Caixa Geral de Depósitos aumentou os lucros para 913 milhões de euros no primeiro semestre e alcançou máximos históricos na concessão de crédito à habitação. O banco público já financiou 2,5 mil milhões de euros a jovens com garantia do Estado
CGD lucra 913 milhões de euros e bate recorde no crédito à habitação com apoio do Estado

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) registou um lucro de 913 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 2,2% face ao mesmo período do ano passado, sustentado pelo aumento do crédito, dos recursos captados e do volume global de negócio.

Os resultados, divulgados esta quinta-feira à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), mostram que o banco público aumentou o volume de negócios em 11,5 mil milhões de euros, impulsionado por um crescimento de 3,6 mil milhões de euros no crédito e de 3,4 mil milhões nos recursos.

Durante a apresentação das contas, em Lisboa, o presidente executivo da instituição, Paulo Macedo, destacou que a Caixa atingiu resultados históricos em várias áreas, sobretudo no crédito à habitação e no número de transações realizadas pelos clientes.

Crédito à habitação cresce 42% e atinge máximo histórico

Entre janeiro e junho, a CGD concedeu 3,7 mil milhões de euros em crédito à habitação, um aumento de 42% face ao primeiro semestre de 2025.

Só no mês de junho, o banco emprestou 740 milhões de euros para compra de casa, o valor mensal mais elevado de sempre.

A carteira de crédito a clientes em Portugal ascendeu a 55 mil milhões de euros, registando um crescimento homólogo de 7%.

Também o financiamento às empresas acelerou, com o novo crédito ao investimento a atingir 3,7 mil milhões de euros, mais 49% do que no mesmo período do ano anterior.

Banco já emprestou 2,5 mil milhões de euros a jovens com garantia pública

A CGD reforçou ainda a liderança no crédito à habitação destinado a jovens até aos 35 anos ao abrigo da garantia pública do Estado.

Desde que o regime entrou em vigor, em janeiro de 2025, o banco concedeu 2,5 mil milhões de euros em financiamento, alcançando uma quota de mercado de 30,8%.

Segundo Paulo Macedo, a Caixa financiou "cerca de uma habitação em cada três" adquiridas por jovens através deste mecanismo.

A garantia pública permite que o Estado assegure até 15% do valor da compra, possibilitando aos bancos financiar até 100% do preço do imóvel, desde que este não ultrapasse 450 mil euros.

O regime mantém-se disponível para contratos celebrados até 31 de dezembro de 2026.

Margem financeira recua, mas atividade continua a crescer

Apesar da subida dos lucros, a margem financeira consolidada recuou 3%, para 1.241 milhões de euros, refletindo a redução das taxas de juro face ao período homólogo.

Já as comissões mantiveram-se estáveis, resultado da política de isenções e da manutenção do preçário pelo quarto ano consecutivo.

Os recursos totais da CGD em Portugal ascenderam a 107 mil milhões de euros, com destaque para o crescimento dos fundos de investimento e dos seguros, que evoluíram a um ritmo superior ao dos depósitos.

Estado recebe mais de 1,3 mil milhões de euros

Paulo Macedo revelou ainda que a Caixa entregou ao Estado 1.330 milhões de euros este ano, entre dividendos e imposto sobre o rendimento (IRC).

Até ao final de 2026, esse valor deverá ascender a 1.660 milhões de euros, aproximando-se dos montantes distribuídos nos dois anos anteriores.

O presidente executivo destacou também a crescente digitalização da atividade do banco, referindo que apenas 1% das transações são atualmente realizadas ao balcão.

Venda da operação no Brasil avança

Durante a apresentação dos resultados, Paulo Macedo comentou igualmente a decisão do Conselho de Ministros de autorizar a venda de 100% do Banco Caixa Geral – Brasil à MD Capital.

O gestor considerou a proposta "interessante", sublinhando que a operação será concretizada por "um valor positivo", embora tenha recusado divulgar o montante antes da assinatura do contrato.

O responsável reiterou que a Caixa "nunca está disponível para vender um ativo a qualquer preço", defendendo que o banco preferiu esperar por condições mais favoráveis para concluir um processo de desinvestimento iniciado há vários anos.