quinta-feira, 14 mai. 2026

CEO da TotalEnergies alerta para risco de escassez energética na Europa devido ao estreito de Ormuz

Caso o bloqueio se prolongue, especialistas admitem que a Europa poderá enfrentar dificuldades acrescidas no fornecimento de energia, com efeitos nos preços e na atividade económica
CEO da TotalEnergies alerta para risco de escassez energética na Europa devido ao estreito de Ormuz

O presidente executivo da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, alertou para o risco de uma crise energética na Europa caso o bloqueio do Estreito de Ormuz se prolongue por mais dois ou três meses.

Em declarações transmitidas pelo canal BFMTV, o responsável sublinhou que a Europa já absorveu as reservas excedentárias disponíveis e que a continuidade da atual situação poderá levar a um cenário de escassez semelhante ao que já se verifica em alguns países asiáticos.

“Se a situação continuar por mais dois ou três meses, entraremos numa era de escassez de energia”, afirmou Pouyanné, num excerto de uma intervenção numa conferência organizada pelo Instituto Francês de Relações Internacionais (IFRI), em Chantilly.

das reservas globais em riscoO CEO destacou que o bloqueio do estreito, provocado pelo Irão em resposta à guerra com os Estados Unidos e Israel, coloca em causa cerca de 20% das reservas mundiais de petróleo e gás.

Apesar de a escassez ainda não se ter materializado, o responsável avisou que não é possível manter inacessível uma fatia tão significativa da oferta global sem “graves consequências”.

Falta de alternativas agrava cenário

Patrick Pouyanné sublinhou que o petróleo proveniente do Golfo Pérsico, considerado mais barato, é essencial para os mercados internacionais, defendendo a necessidade urgente de encontrar alternativas logísticas ao estreito de Ormuz.

“O facto de não haver saídas suficientes é um grande problema”, afirmou, defendendo a construção de novos oleodutos que permitam contornar o bloqueio.

Atualmente, parte do petróleo está a ser transportado por infraestruturas existentes, mas consideradas insuficientes. A Arábia Saudita dispõe de um oleoduto até ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho, enquanto os Emirados Árabes Unidos possuem uma alternativa que evita o estreito.

Já no Iraque, parte da produção é escoada através de um oleoduto que liga Kirkuk ao porto turco de Ceyhan, no Mediterrâneo.

O alerta surge num momento de elevada instabilidade geopolítica, com impacto direto nos mercados energéticos e na segurança do abastecimento europeu.

Caso o bloqueio se prolongue, especialistas admitem que a Europa poderá enfrentar dificuldades acrescidas no fornecimento de energia, com efeitos nos preços e na atividade económica.