O preço do cabaz alimentar monitorizado pela Deco Proteste voltou a aumentar na última semana, interrompendo a descida registada anteriormente. Entre 22 e 29 de julho, o conjunto de 63 bens essenciais passou a custar 253,47 euros, mais 2,18 euros do que na semana anterior.
Segundo a associação de defesa do consumidor, a subida inverte a redução de 5,17 euros verificada na semana anterior e confirma que os preços dos alimentos continuam a exercer pressão sobre o orçamento das famílias portuguesas.
O cabaz inclui produtos de consumo corrente distribuídos por várias categorias, como carne, peixe, congelados, frutas e legumes, lacticínios e mercearia. Entre os alimentos monitorizados encontram-se frango, peru, pescada, carapau, arroz, esparguete, leite, queijo, manteiga, ovos, fruta e legumes.
Salsichas, atum e peito de peru lideram aumentos semanais
Na última semana, os maiores aumentos de preço registaram-se nas salsichas Frankfurt, que ficaram 25% mais caras, passando para 1,97 euros. Seguiu-se o atum posta em azeite, com uma subida de 14%, atingindo 2,09 euros, e o peito de peru fatiado embalado, que aumentou 10%, para 2,83 euros.
Apesar das oscilações semanais, a tendência continua a ser de agravamento dos preços quando comparados com períodos mais alargados.
Desde o início de 2026, comprar exatamente o mesmo cabaz custa mais 11,65 euros, o equivalente a um aumento de 4,82%.
Face ao mesmo período do ano passado, os consumidores pagam mais 13,82 euros, o que representa uma subida de 5,77%.
A comparação com janeiro de 2022 evidencia uma diferença ainda mais expressiva: o cabaz custa atualmente mais 65,77 euros, um agravamento de 35,04%.
Bacalhau, robalo e perca entre os produtos que mais encareceram
Na análise anual, a Deco Proteste identifica o bacalhau graúdo como um dos produtos que mais aumentou, com uma valorização de 24%, custando atualmente 19,34 euros por quilograma.
Também o robalo registou uma subida de 23%, para 10,14 euros por quilograma, enquanto a perca do Nilo aumentou 22%, atingindo 12,12 euros por quilograma.
Se a comparação recuar até janeiro de 2022, os aumentos tornam-se ainda mais significativos. A carne de novilho para cozer lidera a lista, com uma subida acumulada de 121%, seguida do bacalhau graúdo, que aumentou 82%, e dos ovos, cujo preço cresceu 78%.
Estudo desafia ideia de que todos os ultraprocessados fazem mal
Entretanto, um estudo apresentado no encontro anual de nutrição de Maryland, nos Estados Unidos, sugere que nem todos os alimentos ultraprocessados devem ser colocados no mesmo grupo quando se avalia o impacto na saúde.
A investigação, conduzida por cientistas da Harvard T.H. Chan School of Public Health, analisou dados de mais de 200 mil adultos e concluiu que alguns alimentos ultraprocessados, como cereais integrais de pequeno-almoço, alguns tipos de pão embalado e bebidas vegetais como leite e iogurtes, podem integrar uma alimentação saudável.
A investigadora Xiaowen Wang sublinha que "o processamento em si não é inerentemente prejudicial", defendendo que a qualidade nutricional dos alimentos deve ser mais valorizada do que o simples grau de processamento.
Os investigadores alertam, contudo, que produtos como fast food, refrigerantes, sumos açucarados, sobremesas, batatas fritas e chocolates continuam associados a um maior risco de doenças cardiovasculares e diabetes, reforçando a importância de privilegiar alimentos ricos em nutrientes e de elevada qualidade nutricional.