Bruxelas mapeia reservas de emergência de combustível mas afasta risco imediato para aviação

Bruxelas está a identificar as capacidades de refinação existentes, as necessidades de abastecimento e possíveis ações conjuntas para garantir o acesso a combustíveis em toda a UE, além de estudar formas de aumentar a produção de biocombustíveis sustentáveis
Bruxelas mapeia reservas de emergência de combustível mas afasta risco imediato para aviação

A Comissão Europeia garantiu esta quarta-feira que não existem sinais de problemas no abastecimento de combustível para a aviação na União Europeia (UE), apesar da crise energética desencadeada pelo conflito no Médio Oriente e das perturbações nos mercados petrolíferos internacionais.

Ainda assim, Bruxelas anunciou que está a mapear as reservas estratégicas de emergência existentes nos Estados-membros, numa altura em que cresce a pressão sobre o setor energético europeu.

“Não temos qualquer prova nem sinais de que exista um problema de abastecimento de combustível de aviação”, afirmou o comissário europeu dos Transportes, Apostolos Tzitzikostas, numa conferência de imprensa em Bruxelas.

Segundo o responsável europeu, as refinarias da UE asseguram atualmente cerca de 70% do consumo de combustível de aviação no espaço europeu, enquanto apenas 20% é importado dos países do Golfo.

A Comissão Europeia pretende agora avaliar em detalhe a capacidade de resposta da indústria europeia de refinação perante um eventual agravamento da crise no Médio Oriente.

“O principal objetivo é maximizar a disponibilidade e a capacidade operacional do setor de refinação europeu e, ao mesmo tempo, estar preparado para qualquer possível cenário de escalada”, explicou Apostolos Tzitzikostas.

Bruxelas está a identificar as capacidades de refinação existentes, as necessidades de abastecimento e possíveis ações conjuntas para garantir o acesso a combustíveis em toda a UE, além de estudar formas de aumentar a produção de biocombustíveis sustentáveis.

A Comissão pretende também conhecer em detalhe o volume das reservas estratégicas disponíveis em cada Estado-membro.

“Queremos saber exatamente quais são as reservas de emergência em cada país e em que quantidade existem”, indicou o comissário europeu.

Apesar da monitorização em curso, Bruxelas descarta, para já, a necessidade de recorrer às reservas estratégicas europeias.

“Se necessário, começaremos a libertar reservas de emergência, mas de forma ordenada e com coordenação da UE”, afirmou Apostolos Tzitzikostas, sublinhando, contudo, que esse cenário “não é o caso neste momento”.

As declarações surgem numa altura em que se assinalam quase três meses desde os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão e da resposta iraniana, conflito que tem provocado forte volatilidade nos mercados energéticos e perturbações na aviação internacional.

Entre os impactos já sentidos estão o aumento dos custos operacionais das companhias aéreas, o agravamento dos preços da energia, alterações nas rotas aéreas e riscos acrescidos para a logística global.

A Agência Internacional de Energia tem vindo a alertar para a possibilidade de escassez de combustível para a aviação caso persistam as restrições no estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas mundiais para o transporte de petróleo.

Em Portugal, o Governo assegurou recentemente que o abastecimento de combustível para a aviação está garantido pelo menos até ao final de agosto, existindo planos alternativos para os meses seguintes.

A legislação europeia obriga os Estados-membros a manter reservas estratégicas equivalentes a 90 dias de consumo de petróleo, cabendo a cada país definir a proporção entre petróleo bruto e produtos refinados, incluindo querosene e combustível de aviação.

A União Europeia continua altamente dependente das importações energéticas, uma vez que compra ao exterior a maior parte do petróleo que consome, tornando-se particularmente vulnerável a crises geopolíticas e choques nos mercados internacionais.

Apesar das garantias dadas por Bruxelas quanto ao abastecimento, os efeitos da crise energética já são visíveis através da volatilidade dos preços do petróleo, do aumento dos custos para empresas e consumidores e das dificuldades crescentes na cadeia logística internacional.

Perante este cenário, reforça-se na UE a pressão para diversificar fornecedores energéticos e acelerar a transição para fontes de energia renováveis e menos expostas a conflitos internacionais.